Encontro do Agosto Lilás reuniu lideranças, mulheres e representantes da Ronda Maria da Penha para ampliar o diálogo sobre direitos, prevenção e enfrentamento à violência.

Foto: Terezza Radha

No último domingo, 30 de agosto, o Terreiro do Ofá , sob a liderança do Babalorixá Joselito de Oxóssi, promoveu a Roda de Conversa “Agosto Lilás nas Comunidades de Terreiro”.

O encontro reuniu mulheres, lideranças religiosas, representantes do poder público e ativistas em torno de uma pauta urgente a defesa dos direitos das mulheres e o enfrentamento à violência.

Além disso, a iniciativa criou um espaço de escuta, diálogo e troca de experiências. A atividade destacou, especialmente, a importância de fortalecer as mulheres dentro das comunidades de terreiro e de aproximar os saberes tradicionais das políticas públicas de proteção.

Entre as participantes, estiveram Mãe Dedéa Odelessi, Mãe Rosângela de Oxum, Lívia Ferreira, Simone Paixão, Gisele França e Dra. Edla Caroline, mulheres que atuam em diferentes áreas e contribuem para a construção de uma sociedade mais justa e segura.

O encontro também contou com a presença da Subtenente Rosenir e de sua equipe da Ronda Maria da Penha, que ampliaram as discussões sobre prevenção, proteção e enfrentamento à violência contra a mulher.

O vereador Niraldo também participou da atividade, ao lado do ativista Moisés dos Palmares, reforçando a importância da participação de diferentes setores da sociedade na construção de estratégias de proteção e garantia de direitos.

Informação e acolhimento fortalecem as mulheres

Foto: Terezza Radha

Durante a roda de conversa, as participantes compartilharam conhecimentos, experiências e reflexões sobre os desafios enfrentados pelas mulheres. O encontro reforçou a necessidade de criar espaços seguros para que elas possam falar, buscar informação e conhecer os caminhos disponíveis para acessar a rede de proteção.

Nesse contexto, a presença da Ronda Maria da Penha aproximou as participantes das políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência. A equipe apresentou orientações e contribuiu para ampliar o conhecimento sobre prevenção e proteção.

Ao mesmo tempo, o encontro valorizou o papel das comunidades de terreiro na promoção do acolhimento e da cidadania. Esses espaços, além de preservarem tradições e conhecimentos ancestrais. Também podem atuar como pontos de diálogo, conscientização e mobilização social.

A iniciativa também chama atenção para a importância de reconhecer as diferentes formas de violência que atingem as mulheres e de estimular uma rede de apoio capaz de acolher, orientar e encaminhar cada situação.

Assim, a roda de conversa transformou o Agosto Lilás em um momento de reflexão e mobilização, aproximando mulheres, lideranças religiosas, representantes da segurança pública e agentes da sociedade civil.

Terreiro do Ofá anuncia novos encontros

Foto: Terezza Radha

Ao promover a atividade, o Terreiro do Ofá reafirmou seu compromisso com a defesa dos direitos das mulheres e com o enfrentamento à violência. A liderança do espaço sinalizou a intenção de realizar novos encontros e ações voltados à conscientização e ao fortalecimento feminino.

A proposta pretende manter o terreiro como um espaço de acolhimento, resistência, diálogo e transformação social. Nesse sentido, a iniciativa amplia o papel das comunidades de terreiro na discussão de temas que impactam diretamente a vida das mulheres.

O Agosto Lilás, portanto, ganhou no Terreiro do Ofá um espaço de diálogo e mobilização. A partir da união entre tradição, conhecimento, políticas públicas e participação social. As mulheres ampliam sua voz e fortalecem a luta por uma vida com respeito, segurança e dignidade.

Vozes que enfrentam o silêncio

Dedéa Odelessi e Lívia Ferreira no Terreiro do Ofá – Foto: Terezza Radha

A discussão também trouxe para o centro do debate as violências estruturais que atravessam a vida das mulheres. Lívia Ferreira, comunicadora popular e militante do movimento Quilomba Nzinga’s Lésbitrans Brasil, destacou que o enfrentamento à violência precisa considerar questões como o racismo, a lesbofobia e as desigualdades relacionadas às políticas de gênero. Para ela, a sociedade precisa romper com práticas que silenciam e invisibilizam mulheres e reconhecer diferentes identidades e existências.

Esse encontro ancestral nos envolveu em uma reflexão profunda e necessária sobre as diversas violências estruturais que atravessam a vida das mulheres, incluindo a lesbofobia, o racismo e as desigualdades decorrentes das políticas de gênero. Não cabe mais a esta sociedade naturalizar a continuidade das agressões, do silenciamento e da invisibilidade dos nossos corpos. É tempo de romper com essas estruturas, fortalecer nossas vozes e afirmar, com ancestralidade e resistência, o direito de todas as mulheres a uma vida digna, livre de violência e com respeito às suas identidades e existências. Gratidão ao Terreiro de Ofá.” Ressalta Lívia.

Romper a normalização da violência

Em muitos territórios, a violência contra a mulher ainda se esconde atrás da rotina e do silêncio. Agressões, ameaças, humilhações e controle não podem ganhar espaço como algo “normal”. Enfrentar a violência também significa reconhecer seus sinais, romper o silêncio e buscar ajuda.

Disque 100: denúncias de violações de direitos humanos
Ligue 180: orientação e denúncias de violência contra a mulher

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