Premiação chega à oitava edição, valoriza forrozeiros e forro, cidades e defende mais espaço para o forró.

Petrúcio Amorim, homenageado especial no Melhores do São João na Bahia 2026 – Foto: Clara Pessoa

Na última quarta-feira (5), Salvador foi palco de uma celebração à música, à cultura e à identidade nordestina. O Cine Teatro 2 de Julho recebeu artistas, prefeitos, produtores culturais, empresários e representantes do turismo para a cerimônia do Melhores do São João 2026.

Promovido pelo Portal São João na Bahia e pelo Site Nação Forrozeira, o evento foi realizado pela Pitanga Marketing, com produção da Umbu Comunicação e patrocínio do Governo da Bahia, por meio da Secretaria do Turismo.

Para quem sonha em ouvir forró nas rádios de janeiro a janeiro, ver o gênero pautado pela imprensa e acompanhar novos talentos conquistando espaço, iniciativas como essa mostram que esse caminho já está sendo construído.

Forró em pauta, o ano inteiro

Gabriel Carvalho na premiação do Melhores do São João na Bahia 2026 – Foto: Clara Pessoa

Um dos idealizadores do prêmio, o jornalista e publicitário Gabriel Carvalho defende que o forró precisa conquistar mais espaço na mídia e receber uma cobertura contínua, que não fique restrita ao período junino. “O forró precisa ter mais espaço de visibilidade, ter uma cobertura mais profissional da imprensa, pois ele não está vinculado apenas ao São João. Aos forrozeiros, também cabe usar melhor as redes digitais e produzir coisas novas.”

A valorização do gênero, portanto, passa pela imprensa, pelas rádios, pelas plataformas digitais, pelos artistas e também pelo público. Afinal, o São João acontece em junho, mas o forró, a cultura nordestina e os artistas que mantêm essa tradição viva precisam de espaço durante todo o ano.

A premiação reconheceu cidades, artistas, bandas, músicas e iniciativas que se destacaram durante os festejos juninos na Bahia. Mas a noite foi além dos troféus. Foi também um encontro de histórias. De trajetórias construídas com persistência. De artistas que carregam no canto as memórias de diferentes gerações.

Os grandes nomes da noite

Melhores do São João na Bahia 2026 – Foto: Clara Pessoa

A premiação também reconheceu municípios, artistas e iniciativas que ajudam a construir o São João baiano. Mata de São João foi um dos destaques, com os prêmios de Melhor Decoração e Melhor Destino. Camaçari venceu em Melhor Estrutura e Organização, enquanto o Pelourinho recebeu o troféu de Melhor Programação.

Também foram reconhecidos Amargosa, como Melhor Experiência; Ubaíra, como Revelação; Lençóis, pela Tradição; Santo Antônio de Jesus, como Destaque; Caém, como Melhor São Pedro; e Quijingue, na categoria Marketing Junino.

Entre os artistas, Neto Leite foi escolhido Melhor Cantor; Bete Nascimento, Melhor Cantora; e Seu Mastruz, Melhor Banda. Fábio Carneirinho venceu como Melhor Repertório. Jefinho Dias e Nívea Emanuelle foram reconhecidos como Cantor e Cantora Revelação, enquanto Forró e Eu Ligo? venceu como Banda Revelação. Fulô de Mandacaru levou Melhor Show, e Júlio César venceu com “Seu Amor Sou Eu”, na categoria Melhor Música.

Cada reconhecimento carrega uma história e reforça a diversidade de quem mantém essa cultura viva

Petrúcio Amorim, homenageado especial no Melhores do São João na Bahia 2026 – Foto: Clara Pessoa

A noite também homenageou o compositor Petrúcio Amorim, um dos grandes nomes do forró nordestino. Conhecido como “poeta do forró”, ele construiu uma obra marcada por canções que atravessaram gerações, como “Tareco e Mariola”, “Anjo Querubim”, “Meu Cenário”, “Filho do Dono” e “Cidade Grande”. Além dele, foram homenageados o Painel de Transparência dos Festejos Juninos da Bahia e o Forró do Talco.

E, entre tantos destaques, Nívea Emanuelle vive uma noite especial

Nívea Emanuelle, Cantora Revelação do Melhores do São João na Bahia 2026 – Foto: Acervo Pessoal

Nívea Emanuelle recebeu o prêmio de Cantora Revelação. A palavra “revelação”, entretanto, ganha outro significado quando se conhece a história da artista.

Natural de Feira de Santana, Nívea Emanuelle carrega uma história de amor pela música. A trajetória dela foi construída passo a passo, entre palcos, aprendizados, desafios e muita persistência. A relação com o forró começou cedo. Ela cresceu ouvindo Luiz Gonzaga e, aos 10 anos, descobriu uma nova paixão. O forró eletrônico, Mastruz com Leite e Magníficos, passou também a fazer parte das referências que ajudaram a construir a identidade musical da cantora.

Desde então, o gênero ganhou um lugar especial na vida e na carreira dela. “Já canto forró há mais de 20 anos e venho construindo minha história aos poucos, com muito esforço, amor e persistência.

O que começou como paixão ganhou força com o tempo e, há pouco mais de dois anos, ela passou a viver exclusivamente da música. Por isso, o troféu recebido em Salvador chegou carregado de significado. “Foi uma surpresa maravilhosa e uma alegria imensa! Recebi esse prêmio com o coração cheio de gratidão, porque é um reconhecimento de algo que faço com muito amor e dedicação. Estou muito feliz e honrada pelo momento. Cada passo até aqui teve seu significado, e esse prêmio representa um pedacinho de toda essa caminhada. relata carregada de emoções.

Nesse sentido, a história da cantora feirense dialoga diretamente com uma questão que marca o gênero, a necessidade de ampliar a visibilidade da música e dos artistas que mantêm essa cultura viva.

Projeto “Três Nordestinos” e a força de estar juntos em defesa do forró

Targino Gondim, Melhor Audiovisual do Melhores do São João na Bahia 2026 – Foto: Clara Pessoa

Entre os trabalhos reconhecidos na cerimônia, “Três Nordestinos” recebeu o prêmio de Melhor Audiovisual. O projeto reúne Targino Gondim, Flávio José e Santanna O Cantador em um encontro de trajetórias, memórias e diferentes formas de viver o forró.

Para Targino, o projeto nasceu de um desejo comum de registrar essa união e fortalecer a música que os três defendem. “Eu, Targino Gondim, junto com Flávio José, com Santanna. A gente resolveu nesse momento registrar o encontro dos nossos trabalhos e dos nossos objetivos por um bem maior, que é o forró.”

A ideia também está presente no subtítulo do projeto,“Todos juntos pelo forró. Um por todos e todos pelo forró.”

Para o artista, receber o prêmio significa valorizar não apenas o resultado, mas também todo o cuidado dedicado à produção. “ É um reconhecimento. É importante demais quando a gente produz um trabalho que ele tem esse reconhecimento, né? Essa é a importância, é dar importância ao que a gente tá fazendo. Então, é justamente isso, por ter nos dado essa importância de um trabalho tão meticuloso, tão feito com coração, com a vontade e desejo de fortalecer cada vez mais a união dos forrozeiros e da música que a gente defende,” destaca.

O reconhecimento de “Três Nordestinos” traduz, assim, o sentido da premiação. A capacidade de reunir gerações, trajetórias e vozes diferentes em torno do mesmo propósito. Manter viva a cultura nordestina e fortalecer o forró.

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