Rastreabilidade e bem-estar animal fazem parte das exigências para a produção regulamentada de jumentos.
Por Redação Jornal Atualize
O cumprimento rigoroso das exigências sanitárias e documentais tem fortalecido a cadeia produtiva dos jumentos e ampliado sua participação no mercado internacional. Nesse cenário, o Serviço de Inspeção Federal (SIF), ligado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), exerce papel fundamental ao fiscalizar a qualidade e a segurança dos produtos de origem animal destinados ao consumo e à exportação.
“Nos estabelecimentos sob inspeção federal, nenhum animal é abatido sem atender integralmente às exigências previstas na legislação brasileira. Em conformidade com o Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Riispoa) em vigor desde 1952”, enfatiza o zootecnista e administrador agropecuário Alex Bastos.
Antes da chegada dos animais ao frigorífico, a fiscalização já começa com a análise da documentação obrigatória. Além disso, os responsáveis verificam o cumprimento das normas sanitárias e de bem-estar animal.
Entre os documentos exigidos está a Guia de Trânsito Animal (GTA). O órgão de defesa sanitária do estado de origem emite o documento, que acompanha todos os lotes transportados.
“A GTA vincula formalmente uma propriedade cadastrada ao frigorífico de destino. Sem este documento, o desembarque da carga é terminantemente proibido”, explica o zootecnista.
Além da GTA, o transporte também exige a Ficha de Informação sobre a distância percorrida e o tempo de viagem. O documento comprova o respeito aos intervalos previstos pela legislação para oferta de água e alimento aos animais, conforme as normas de bem-estar animal.
Triagem rigorosa antes do abate
Após o desembarque e a conferência dos documentos, a equipe técnica do SIF assume o controle do processo. Auditores fiscais federais agropecuários e médicos-veterinários realizam a chamada inspeção ante-mortem.
Durante essa etapa, os profissionais avaliam as condições físicas, clínicas e comportamentais dos animais nos currais de chegada e descanso.
A inspeção busca identificar sinais de doenças infectocontagiosas, possíveis zoonoses e alterações que indiquem problemas de saúde.
Ao mesmo tempo, a equipe confere os dados registrados na GTA com as informações do lote recebido. Caso exista diferença na quantidade ou na identificação dos asininos, os animais ficam retidos para investigação. O abate só ocorre após o esclarecimento da situação.
Exigências garantem confiança no mercado internacional
Segundo Alex Bastos, o controle documental e sanitário realizado pelo SIF fortalece a credibilidade da produção brasileira no comércio internacional. Além disso, as medidas ajudam a combater práticas ilegais e protegem a saúde pública.
“Este nível de controle é o que confere uma das maiores credibilidades às proteínas animais brasileiras no comércio internacional, onde a demanda por derivados de equídeos é estabelecida e regulamentada por protocolos e acordos internacionais, nos quais o país importador define as condições para acesso ao seu mercado”, afirma.
Além da rastreabilidade e da fiscalização sanitária, o controle oficial acompanha todas as etapas da cadeia produtiva. O objetivo é garantir o cumprimento das normas de Bem-Estar Animal (BEA), desde o embarque na propriedade rural até a insensibilização no frigorífico.
“Todas essas práticas aplicadas no processo de abate reforçam que a asininocultura regulamentada opera sob os mesmos padrões de excelência técnica adotados em cadeias produtivas consolidadas e internacionalmente reconhecidas, como as de bovinos, suínos e aves”, conclui Bastos.