Evento reuniu moradores, lideranças sociais e representantes de instituições em uma programação marcada pela cultura, cidadania e defesa dos direitos coletivos
Por Gilsimara Cardoso

No último sábado, 20 de junho, a Ilha de Itaparica celebrou um importante momento de fortalecimento da organização comunitária. Com a reinauguração da sede da Associação de Moradores, Pescadores e Marisqueiras de Itaparica (AMPMI). A programação reuniu moradores, lideranças sociais, representantes de instituições e organizações da sociedade civil em atividades que destacaram a cultura, a cidadania e a defesa dos direitos dos povos e comunidades tradicionais.

Realizado ao longo de todo o dia, o evento reuniu cerca de 60 participantes. Durante a programação, o presidente da AMPMI Rafael Tupinambá destacou que o espaço reinaugurado abriga a sede da associação e recebeu o nome de Centro de Empoderamento Comunitário da Misericórdia. Segundo ele, a iniciativa foi viabilizada por meio do Edital de Empoderamento de Mulheres da Fundação Banco do Brasil e servirá como modelo para a implantação de novos centros em outras comunidades do município.
União que fortalece

Rafael Tupinambá também informou que, com o apoio da fundação, o centro oferecerá oficinas de culinária, inclusão digital, leitura e escrita, além de corte e costura. Outro destaque da estrutura é a cozinha comunitária, criada para fortalecer ações de geração de renda, capacitação e segurança alimentar, ampliando as oportunidades de desenvolvimento para moradores e moradoras da comunidade.

Logo na abertura Rafael Tupinambá, acompanhado da vice-presidente Jaguaracira de Jesus e da tesoureira Adriana França, recepcionou os participantes e conduziu um café da manhã comunitário. Em seguida, os presentes puderam compartilhar experiências e fortalecer os laços comunitários em um ambiente de acolhimento e diálogo. O momento simbolizou a retomada de um espaço voltado à organização social, à participação cidadã e à construção coletiva de propostas para a comunidade. Além disso, a iniciativa reforçou o compromisso da associação com o fortalecimento das ações em defesa dos direitos dos moradores, pescadores e marisqueiras do território.
Música e Memória

Em seguida, o professor de música e mestre Alderico realizou uma apresentação cultural que destacou a importância da arte na preservação da identidade cultural e no fortalecimento dos laços comunitários. Além disso, sua participação promoveu reflexões sobre a música como ferramenta de educação e transformação social.

Ao longo da manhã, diferentes convidados compartilharam experiências e conhecimentos voltados ao desenvolvimento comunitário. Nesse contexto, a oficineira de gastronomia Nea Sena abordou a valorização dos saberes tradicionais e a importância de preservar práticas culturais transmitidas entre gerações. Além disso, o coordenador pedagógico Moisés dos Palmares ressaltou a relevância da educação popular como instrumento de transformação social. Para completar, emocionou o público ao declamar poemas de sua autoria, proporcionando um momento de reflexão, sensibilidade e fortalecimento da identidade comunitária.

Também participaram da programação a socióloga e gestora da Agenda ASG/ESG do Village Itaparica, Adriana Muniz, e Marcos Cruz, responsável pelo Programa de Comunicação Social e Consumo Consciente do Village Itaparica. Ambos destacaram a relevância da associação para a organização social do território e para a defesa dos direitos da população de Itaparica. Marcos Cruz ressaltou que a reinauguração da sede representa a força da união comunitária e a capacidade de mobilização das comunidades locais. “Acredito que a reinauguração da sede da AMPMI materializa a força das comunidades quando a população está unida. O próprio evento teve uma dinâmica muito orgânica, na qual as pessoas e representações do território de Itaparica tiveram a liberdade de se expressar da forma que consideravam mais adequada. Sem reservas e sem julgamentos. Me sinto muito honrado por participar deste momento”, afirmou.
Cultura ancestral, capoeira e debate ambiental marcaram a programação

Um dos momentos mais significativos do encontro ocorreu durante a participação da liderança indígena Kireibabe Tracajá Tupinambá, que conduziu um Toré, manifestação cultural e espiritual tradicional dos povos indígenas do Nordeste. Por meio de cantos, dança circular e maracás. Dessa maneira, a atividade reforçou a importância dos povos originários na formação da identidade cultural brasileira. Ao mesmo tempo, promoveu um momento de integração, espiritualidade e valorização das tradições ancestrais.

Além disso, a Associação Cultural Forma Capoeira realizou uma roda de capoeira que reuniu jovens praticantes e membros da comunidade. Durante a apresentação, os participantes demonstraram habilidades desenvolvidas nas aulas. Fortalecendo o papel da cultura e do esporte na inclusão social, na disciplina e na formação cidadã.

Além das atividades culturais e formativas, a programação também abriu espaço para debates sobre questões ambientais e direitos coletivos. Nesse sentido, o advogado Dr. Dilvan apresentou informações relacionadas a processos envolvendo crimes ambientais. Entre os temas abordados, destacaram-se as discussões sobre o Estaleiro Paraguaçu e os impactos provocados pelo derramamento de óleo que atingiu a costa brasileira em 2019. Com isso, os participantes puderam ampliar sua compreensão sobre os desafios enfrentados pelas comunidades costeiras.

Dessa forma, a atividade contribuiu para fortalecer o conhecimento da comunidade sobre os mecanismos de defesa do meio ambiente, bem como sobre a importância da participação social na proteção dos territórios tradicionais.
Encontro reforça a importância da educação, da participação social e da garantia de direitos no território

Por sua vez, a Associação de Jovens de Itaparica (AJITA) reforçou a necessidade de ampliar o acesso ao ensino superior no território. Durante sua participação, a entidade mobilizou os presentes em torno de um abaixo-assinado que solicita aos governos estadual e federal a implantação de uma universidade pública em Itaparica. Destacando a educação como ferramenta fundamental para o desenvolvimento social e econômico da região.

Ao encerrar as atividades, Rafael Tupinambá ressaltou a importância da união comunitária para garantir mais participação popular, igualdade de direitos e políticas públicas capazes de atender às demandas da população. Segundo ele, o fortalecimento das organizações comunitárias representa um passo fundamental para a construção de um território mais justo e democrático.

Ele também destacou a importância do trabalho coletivo para a concretização da reinauguração da sede. Segundo ele, a conquista é resultado do empenho de muitas pessoas, desde os profissionais envolvidos na obra até as mulheres que atuam diariamente na manutenção das atividades da associação. “Sem a equipe, nós não conseguiríamos nada. Desde todos que trabalharam na obra até essas mulheres que fazem essa associação funcionar”, afirmou, destacando o papel fundamental da colaboração comunitária no fortalecimento da entidade.

Assim, a reinauguração da sede da Associação de Moradores, Pescadores e Marisqueiras de Itaparica representou muito mais do que a recuperação de um espaço físico. O evento simbolizou o fortalecimento da identidade cultural, da cidadania, da participação popular e da organização coletiva em defesa dos direitos dos povos e comunidades tradicionais da Ilha de Itaparica.