Caso envolve perda de perfis pessoais e profissionais e já está sendo investigado pela Polícia Civil.
Por Gilsimara Cardoso

O empresário, consultor e ativista social Laércio Becker denunciou publicamente estar sendo vítima de uma série de ataques cibernéticos que resultaram na perda de seus perfis pessoais e profissionais nas redes sociais Instagram e Facebook.
De acordo com o Boletim de Ocorrência registrado na 24ª Delegacia Territorial de Vera Cruz (BA), Becker denunciou à Polícia Civil uma suposta invasão de dispositivo informático. Crime previsto no artigo 154-A do Código Penal Brasileiro. O empresário relatou acessos indevidos às suas contas digitais e a consequente perda de controle sobre seus perfis nas redes sociais.
Entre os perfis afetados está a conta pessoal @beckerlaercio, que, segundo a vítima, concentrava mais de 20 anos de histórico digital. Os ataques também atingiram três páginas ligadas à sua atuação profissional e social: a @brasfav, iniciativa voltada ao fortalecimento do povo negro e do afroempreendedorismo; a @multiverse, consultoria empresarial com cerca de 15 anos de atuação no mercado; e a @damashi1, empresa especializada em produção de eventos e gestão artística, também com aproximadamente 15 anos de trajetória.
O caso, que já é objeto de investigação policial e de ação judicial, levanta preocupações sobre a crescente incidência de crimes cibernéticos e os desafios enfrentados por vítimas na recuperação de suas identidades virtuais.
1,6 milhão de golpes aplicados por meio do WhatsApp
Dados da SaferNet mostram que a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos recebeu 87.689 denúncias únicas em 2025, número 28,4% superior ao registrado no ano anterior. Paralelamente, entre janeiro e setembro do mesmo ano, foram contabilizados 1,6 milhão de golpes aplicados por meio do WhatsApp, aplicativo da plataforma Meta. Consolidando a plataforma como um dos principais canais utilizados por criminosos para fraudes, roubo de dados, estelionato digital e clonagem de contas. Os números reforçam a necessidade de ampliar as ações de educação digital, prevenção e fortalecimento dos mecanismos de segurança para proteger os usuários diante da crescente sofisticação dos golpes
A primeira invasão digital partiu do município de Vera Cruz

Segundo Becker, os ataques apresentam características de perseguição direcionada. O monitoramento inicial realizado após os incidentes teria identificado que a primeira ação partiu do município de Vera Cruz, onde o empresário reside. “Qualquer nova conta que eu crio com meu nome ou vinculada às minhas instituições é derrubada intencionalmente”, relata.
O empresário afirma que já está na oitava tentativa de reconstruir sua presença digital. Atualmente, mantém um novo perfil, após conseguir reverter temporariamente o bloqueio por meio de um recurso apresentado à plataforma Meta. Apesar disso, ele teme que a conta volte a sofrer novas restrições.
Ele destaca que os danos foram imediatos e significativos, afetando diretamente sua estrutura de trabalho. ‘O hackeamento das minhas redes sociais destruiu o meu patrimônio digital, jogou anos de investimento fora e causou uma grave crise na minha credibilidade profissional. O impacto financeiro e emocional de ver o meu trabalho ser roubado afetou diretamente a continuidade do meu negócio e a minha imagem no mercado,” afirma.
Entenda como o Instagram suspende ou derruba contas na plataforma

Não existe um padrão único para a derrubada de páginas no Instagram. A plataforma utiliza sistemas automáticos e análise humana para moderar contas que violem suas diretrizes.
Em geral, perfis podem ser suspensos quando há violação das regras da comunidade, como conteúdo de ódio, assédio, fraude, spam ou uso indevido de identidade. Também podem ocorrer bloqueios por atividade suspeita, tentativas de invasão ou uso de automação.
Além disso, denúncias de usuários podem acelerar o processo de revisão, especialmente quando ocorrem em grande volume. Em alguns casos, o próprio sistema aplica restrições automáticas ao identificar comportamentos fora do padrão.
Dessa forma, a suspensão ou remoção de contas resulta, na maioria das vezes, da combinação entre violações das diretrizes, denúncias recorrentes e detecção de atividades consideradas suspeitas pela plataforma.
O que diz a legislação
A Lei Carolina Dieckmann incluiu o artigo 154-A no Código Penal e passou a punir a invasão de dispositivos eletrônicos sem autorização. A norma criminaliza o acesso indevido a computadores, celulares, contas digitais e sistemas eletrônicos para obter, modificar ou destruir dados, além da instalação de mecanismos utilizados em crimes cibernéticos.
Em geral, esse tipo de ataque ocorre por diferentes meios. Criminosos podem utilizar roubo de senhas, phishing (páginas falsas), vazamento de dados e engenharia social, quando induzem a vítima ao erro. Além disso, o acesso ao e-mail vinculado às redes sociais também pode facilitar a invasão e a tomada de contas.
Essas situações podem envolver a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), especialmente quando há uso ou exposição indevida de informações pessoais. Especialistas em segurança digital alertam que esses ataques causam prejuízos financeiros, danos à reputação e perda de ativos digitais. Por isso, recomendam registro imediato da ocorrência e preservação de provas.
Onde denunciar crimes digitais
Denúncias podem ser realizadas por meio da Polícia Civil, das delegacias especializadas em crimes cibernéticos, da Polícia Federal e da SaferNet Brasil, organização de referência no combate a delitos praticados na internet.
Além do registro policial, especialistas orientam que as vítimas acionem os canais oficiais das plataformas digitais para recuperar contas invadidas e preservar provas dos ataques. No caso de Laércio Becker, as autoridades já investigam as denúncias e buscam identificar os responsáveis pelos acessos indevidos e pelos danos causados.