Iniciativa construída pelo Projeto Mares e parceiros busca fortalecer a cultura oceânica e aproximar estudantes dos desafios ambientais da Ilha de Itaparica.

Por Redação

Projeto Mares – Foto: Divulgação

Uma iniciativa que nasce do território e, ao mesmo tempo, dialoga com desafios globais pode transformar a forma como crianças e jovens de Vera Cruz se relacionam com o mar. Nesse contexto, o Projeto Mares, realizado pela ONG Socioambientalista PRÓ-MAR em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, articulou junto à Câmara de Vereadores de Mar Grande a criação de um projeto de lei que institui a cultura oceânica nas redes pública e privada de ensino do município.

A proposta foi apresentada nesta terça-feira, 5 de maio, pelo vereador Fernando Niraldo Castro Reis e, agora, deve ser votada em plenário na próxima semana. O texto prevê a inserção do chamado “currículo azul” de forma transversal nas escolas, contemplando desde a educação infantil até a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Além disso, a medida busca promover o letramento oceânico como eixo integrador do ensino, fortalecendo a conexão entre educação, território e preservação ambiental.


Na prática, explica o professor Geraldo Fonseca, coordenador de Educação Ambiental do Projeto Mares, a proposta prevê a incorporação do oceano como tema estruturante em diferentes disciplinas. Estimulando o pensamento crítico e a formação de estudantes mais conscientes sobre a relação entre sociedade e ambiente marinho. “O projeto de lei define a cultura oceânica como o conjunto de processos que permite compreender tanto a influência do oceano sobre a vida humana quanto o impacto das ações humanas sobre os ecossistemas marinhos”, explica o professor.

Cultura oceânica nas escolas


A proposta ganha força em um momento em que o Projeto Mares também avança na formação de educadores. A partir do final de maio, a iniciativa passa a ofertar um curso de Educação Ambiental Escolar com ênfase em cultura oceânica. Voltado para gestores escolares dos dois municípios da Ilha de Itaparica. Para Geraldo Fonseca, a formação é uma estratégia para estruturar a chegada do tema às escolas. “A ideia é trabalhar com quem está na gestão escolar, para que a cultura oceânica não apareça como um conteúdo isolado, mas como algo integrado ao cotidiano pedagógico”, afirma.


Ele também destaca que o avanço da proposta em Vera Cruz pode abrir caminho para uma articulação mais ampla no território. “Esse diálogo com Vera Cruz abre caminho para uma articulação com Itaparica. A gente está falando de uma ilha que compartilha desafios e potencialidades, então faz sentido pensar essa agenda de forma integrada”, diz.


A iniciativa dialoga diretamente com a Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021-2030). Instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), além dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030. Dessa forma, ao trazer esse debate para o ambiente escolar. A proposta busca engajar a comunidade educativa em temas como mudanças climáticas, conservação da biodiversidade e economia azul.

Além disso, outro ponto previsto no projeto de lei é a formação continuada de professores. O texto estabelece que a implementação da cultura oceânica deverá contar com capacitação de educadores. Com apoio de instituições que atuam nas áreas ambiental e científica, bem como universidades e órgãos governamentais com experiência no território.

Caso o projeto seja aprovado, caberá ao Poder Executivo municipal regulamentar a lei e definir as diretrizes para sua implementação nas escolas do município.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *