Lições na PR-272 do Paraná

Por Nazareth Reales

2026, Cap. 16 A pedagogia do invisível
Paraná Guairá, PR-272 – Foto: Arquivo pessoal

O mapa diz que estamos cruzando uma fronteira, mas o corpo diz que estamos atravessando uma prova. A rodovia PR-272, no coração do Paraná, nos recebeu com um calor que não apenas esgota o físico, mas também coloca à prova a vontade. Pedalar sob essas temperaturas é entender, na própria pele, que o território não é algo que se atravessa, é algo que se sente.

A estrada como testemunha

Tatu morto na estrada PR-272 – Foto: Arquivo pessoal

Como parte do nosso trabalho em Educação em Movimento, nosso olhar não se limita ao asfalto. Neste trajeto, a estrada nos revelou uma realidade dura: o impacto da nossa presença no ambiente. Encontramos pelo caminho corpos de animais que não conseguiram atravessar a tempo.

Serpente morta na PR-272 Paraná – Foto: Arquivo pessoal

Para uma família que educa na estrada, esses não são apenas acidentes; são lições de ecologia rodoviária. É aqui que a viagem se interrompe para refletir sobre como habitamos o mundo e como nossas infraestruturas as mesmas que nos permitem viajar às vezes interrompem o fluxo da vida. Educar Thomas nesse contexto é ensiná-lo que o progresso precisa ser consciente, ou não é progresso.

Resgatando a memória da água

Museu Municipal Sete quedas Guaira, Paraná com Emanuelle María Bagatin, guía de museu -Foto: Arquivo pessoal

Ao chegar a Guaíra, buscamos refúgio na memória. A visita ao Museu Municipal Sete Quedas foi um lembrete da fragilidade do nosso patrimônio. Recordar as cataratas desaparecidas, hoje submersas sob o progresso hidrelétrico, reafirma nossa missão: mapear o território antes que ele mude. Os museus não são depósitos de coisas antigas; são salas de aula vivas que explicam por que o solo que hoje pedalamos tem as cicatrizes que tem.

Documentar essas realidades da fragilidade da fauna na estrada à riqueza histórica dos nossos museus é o coração do nosso trabalho. No entanto, para que essa “janela para o mundo” permaneça aberta e com a nitidez que essa causa merece, seguimos trabalhando na nossa meta de renovação tecnológica. Estamos a apenas 50% de alcançar o objetivo de investimento que nos permitirá profissionalizar ainda mais esse conteúdo educativo. Se nosso trabalho ressoou com você, convidamos a fazer parte do impulso final dessa campanha.

Como participar desse salto tecnológico?

Brasil (PIX):
CPF 112.504.692-95 (Nazaret Reales)

A travessia: uma balsa rumo à maturidade de um sonho

O vídeo desta semana culmina na balsa. Cruzar o rio rumo ao Paraguai sobre uma plataforma de metal é um ato profundamente simbólico. Deixamos para trás a terra brasileira que nos acolheu com generosidade para entrar em um novo território de possibilidades.

Essa travessia representa aquele “ponto de inflexão” de que falamos no capítulo anterior. Enquanto a balsa deslizava sobre a água, sentíamos que não estávamos apenas mudando de país, mas transportando um sonho para sua fase de maior maturidade.

Fechando o ciclo

Familia Bikeangle – Foto: Arquivo pessoal

Cada uma dessas imagens o calor, os achados na estrada, a história do museu e o horizonte paraguaio são aquilo que queremos capturar com a maior nitidez possível. É por momentos como esse que buscamos renovar nossas ferramentas: para que, quando vocês virem nossa história, possam sentir o calor do Paraná e a esperança do novo caminho com a mesma intensidade com que nós vivemos.

A viagem continua.

O Paraguai nos recebe com tereré e a Educação em Movimento não para.

Nos vemos no próximo capítulo do jornal Atualize.

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