Atacante de 17 anos, revelada na Copa Maria Felipa, passa pelo Bahia e hoje veste a camisa 22 do Vitória, com contrato até 2029.

Por Gilsimara Cardoso

Iasmin Santos – Foto: Arquivo Pessoal

A bola corre leve nos pés de quem aprendeu cedo a insistir. Da comunidade do Baiacu, em Vera Cruz, na Ilha de Itaparica, surge uma nova história no futebol feminino baiano. Aos 17 anos, Iasmim Santos veste a camisa 22 do Esporte Clube Vitória e, há três meses, imprime sua marca em um dos clubes mais tradicionais do estado.

Além disso, a atleta já projeta um caminho de continuidade: o contrato com o clube segue até 2029, o que reforça a aposta no seu potencial dentro do futebol profissional.

Antes disso, no entanto, a trajetória ganhou forma em campos de terra, escolinhas locais e competições comunitárias. Ainda em 2025, Iasmim integrou o União da Ilha, equipe campeã da Copa Maria Felipa de Futebol Feminino, onde atuou como atacante e chamou atenção pela presença constante nas jogadas ofensivas. A competição, por sua vez, consolidou-se como vitrine para talentos da Ilha e abriu portas para novas oportunidades.

Logo depois, a atleta passou pelo Esporte Clube Bahia, experiência que ampliou seu repertório técnico e fortaleceu sua leitura de jogo. Em seguida, encontrou no Vitória um novo espaço para crescer. Assim, a caminhada seguiu com mais intensidade, agora em um ambiente de maior visibilidade e exigência competitiva.

Enquanto isso, a Copa Maria Felipa mantém seu calendário ativo e fortalece o futebol feminino no território. No próximo dia 17 de maio, às 9h, o Campo da Conceição recebe um grande amistoso entre Conceição e Amoreiras. O encontro antecipa a nova edição do torneio e reforça o papel da competição como espaço de visibilidade e formação para atletas como Iasmim.

Entre raízes, oportunidades e visibilidade

Iasmin Santos – Foto: Arquivo Pessoal

Criada em um território marcado pela força das mulheres marisqueiras, Iasmim carrega no corpo e na fala a herança de resistência. Ao narrar a própria trajetória, ela revela não apenas o percurso esportivo, mas também as bases que sustentam sua identidade dentro e fora de campo. “Meu nome é Iasmin, tenho 17 anos, e minha história no futebol começou desde cedo, passando por várias escolinhas aqui na minha comunidade, onde moro, que é o Baiacu. Na escolinha Juventude, fui aprendendo, evoluindo e construindo meu sonho passo a passo.

Na fala, a atleta reconstrói o início da jornada e destaca o papel das oportunidades locais na formação de jovens talentos. Além disso, ela evidencia a persistência como elemento central da caminhada. “Sempre tive muita vontade de jogar e nunca desisti, mesmo quando as coisas eram difíceis. Fui criada com base no respeito, na humildade e na educação, valores que levo comigo dentro e fora de campo.

Ao lembrar a passagem pelo Bahia e a atual fase no Vitória, Iasmim também aponta o amadurecimento emocional e técnico como resultado das experiências acumuladas. “Tive a oportunidade de passar pelo Esporte Clube Bahia, que foi uma experiência muito importante para minha evolução como atleta. Hoje estou no Esporte Clube Vitória, onde sigo trabalhando forte, aprendendo cada dia mais e buscando meu espaço.

Nesse sentido, a jovem reconhece os desafios do percurso e reafirma o compromisso com o próprio sonho. “Hoje eu me sinto mais madura, mais focada e com a cabeça mais forte. Sei que o caminho não é fácil, já enfrentei momentos de dúvida e pressão, mas tudo isso me fez crescer e acreditar ainda mais no meu potencial.” Relata emocionada.

Da visibilidade à mudança: futebol feminino ganha força na Ilha

Copa Maria Felipa 2025 – Foto: Gilsimara Cardoso

A participação na Copa Maria Felipa aparece como um divisor de águas na trajetória da atleta. Segundo ela, a competição ampliou horizontes e fortaleceu sua presença no cenário esportivo. “Participar da Copa Maria Felipa foi uma experiência incrível. Foi uma oportunidade de mostrar meu futebol, ganhar mais experiência e viver momentos importantes dentro de campo. Cada jogo foi aprendizado e me ajudou a evoluir como jogadora.” Destaca Iasmin.

Ao mesmo tempo, ela chama atenção para um desafio coletivo que atravessa o futebol feminino. A falta de valorização. De acordo com o relato dela, muitas meninas possuem talento, mas encontram barreiras estruturais que limitam o desenvolvimento esportivo. “O que eu gostaria que mudasse no futebol feminino é a valorização. Muitas meninas têm talento, mas não têm oportunidades ou apoio. Falta mais investimento, mais visibilidade e mais respeito.”

O sonho continua, e eu não vou parar.”

Iasmin Santos – Foto: Arquivo Pessoal

Essa percepção dialoga com a realidade de diversas atletas em formação. Ainda assim, ela mantém o olhar voltado para o futuro, sustentado por disciplina e persistência. “Minha caminhada é feita de luta, humildade e persistência. Já passei pelo Esporte Clube Bahia e hoje sigo defendendo o Esporte Clube Vitória. O sonho continua, e eu não vou parar.” Conclui.

A coordenação da Copa Maria Felipa também reconhece o destaque da jogadora durante a competição. Fábio Guerra, coordenador e comentarista da copa ressaltou a importância da atleta. “Iasmin foi uma atleta que se destacou na competição desde o início, sempre participativa nas principais jogadas. Especialista em bola parada e cheia de talento. A gente fica muito feliz de tê-la na história da Copa e, principalmente, em saber que a competição abriu caminhos para novas oportunidades.” Afirma.

Com amistoso já marcado para o dia 17 de maio, no Campo da Conceição, e nova edição prevista para julho, a Copa Maria Felipa reafirma o potencial como espaço de revelação. Enquanto isso, Iasmim segue escrevendo a própria história, agora em gramados maiores, com contrato até 2029 e sem perder de vista as raízes que a trouxeram até aqui.

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