Estudo reúne instituições de diferentes países e busca identificar biomarcadores no sangue que possam tornar o diagnóstico da doença mais rápido e preciso em crianças e adolescentes.

Foto: Ascom HEC
O Hospital Estadual da Criança (HEC), em Feira de Santana, participa de uma pesquisa científica internacional que busca ampliar as possibilidades de diagnóstico da febre reumática aguda. A iniciativa integra a rede ARC (Acute Rheumatic Fever Diagnosis Collaborative), que reúne pesquisadores de diferentes países para investigar biomarcadores capazes de ajudar na identificação da doença.
Nesta nova etapa, iniciada na sexta-feira (30), a equipe local prevê a participação de 50 crianças e adolescentes saudáveis, com idades entre 5 e 15 anos. A inclusão desse grupo permitirá estabelecer parâmetros de referência e comparar os resultados com os dados de participantes que apresentam suspeita ou diagnóstico de febre reumática aguda.
Além disso, a pesquisa estabeleceu a meta de recrutar 240 crianças até dezembro de 2026.
Bahia representa a América Latina na pesquisa
A rede ARC conta com financiamento da Fondation Leducq e reúne instituições de países como Uganda, Paquistão, Malawi e Austrália. Nesse cenário, o HEC representa a América Latina e atua como centro de recrutamento de participantes no Brasil.
Para desenvolver o estudo, os pesquisadores seguem um protocolo que prevê a coleta padronizada de informações clínicas, exames e amostras biológicas. Dessa forma, a equipe pretende identificar e validar possíveis biomarcadores que contribuam para diferenciar a febre reumática de outras doenças com sintomas semelhantes.
Doença pode provocar danos permanentes ao coração
A febre reumática aguda é uma complicação inflamatória que pode surgir após determinadas infecções provocadas pela bactéria Streptococcus pyogenes, conhecida como estreptococo do grupo A.
A doença pode atingir diferentes partes do organismo, como coração, articulações, pele e sistema nervoso. Entretanto, uma das consequências mais preocupantes ocorre quando a inflamação provoca lesões nas válvulas cardíacas. Nesses casos, a criança ou o adolescente pode desenvolver danos permanentes e cardiopatia reumática.
Atualmente, nenhum exame isolado confirma todos os casos. Por isso, os profissionais de saúde consideram os sintomas, aplicam os critérios de Jones revisados e investigam evidências de infecção estreptocócica anterior. Quando necessário, também solicitam exames complementares.
Pesquisa busca ampliar a precisão do diagnóstico
Diante dessas dificuldades, os pesquisadores investigam biomarcadores presentes no sangue que possam ajudar a distinguir a febre reumática aguda de outras condições clínicas.
A expectativa é reunir evidências científicas para desenvolver uma ferramenta diagnóstica confiável e acessível. No entanto, a tecnologia ainda está em fase de investigação e não representa um teste disponível para utilização na rotina dos serviços de saúde.
A participação do HEC também fortalece a produção científica na Bahia e amplia o conhecimento sobre uma doença que pode provocar complicações importantes durante a infância e a adolescência.
A cardiopediatra Renata Fonseca Mendoza coordena a pesquisa no hospital. A iniciativa reforça a atuação da unidade no atendimento pediátrico especializado e na busca por novas estratégias para reconhecer a doença com maior precisão.
O Hospital Estadual da Criança é uma unidade materno-infantil de média e alta complexidade, 100% SUS, vinculada à Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e gerida pela Liga Álvaro Bahia. A instituição mantém o cuidado com a saúde e o desenvolvimento das crianças como prioridade.
