Dezesseis dias após o disparo, Aroldo Félix ainda enfrenta dores e limitações na campanha e alega que a bala de borracha disparada pela PM estava vencida há 11 anos.

Candidato ao Governo da Bahia tem campanha prejudicada após ser alvejado com bala de borracha vencida
Aroldo Félix alvejado por bala de borracha, no dia 1º de setembro – Foto: Arquivo Pessoal

Nesta quinta-feira, 17, dezesseis dias após o disparo que o atingiu durante uma manifestação de entregadores por aplicativo em Salvador, o candidato ao Governo da Bahia Aroldo Félix, da Unidade Popular (UP), afirma que continua em tratamento médico. Segundo ele, o ferimento permanece aberto e infeccionado.

O caso ocorreu em 1º de setembro, na Avenida Paralela, durante o chamado Breque dos Aplicativos.

Aroldo relata que acompanhava a manifestação e que o disparo o atingiu quando já deixava o local, na garupa da motocicleta de um dos manifestantes. Segundo o candidato, os policiais não deram ordem de parada naquele momento e o grupo já deixava o ato. Ele também contesta a informação de que o trânsito estava interrompido quando ocorreu o disparo.

Projétil que atingiu Aroldo Félix – Foto: Arquivo da UP

De acordo com a UP, a bala de borracha que atingiu o candidato estava vencida e o episódio tem prejudicado a campanha. “O candidato, desde então, tem cumprido agendas restritas em decorrência das complicações do ferimento causado por um projétil de elastômero vencido há 11 anos sob posse regular da PM baiana. Anexas a esta nota, constam as fotos do projétil (com data de fabricação e validade expirada em março de 2015).”

Candidato permanece em tratamento e sob medicação

Aroldo Félix, candidato ao Governo da Bahia – Foto: Arquivo Pessoal

Aroldo diz que o ferimento continua afetando sua rotina e sua participação na campanha. Em entrevista ao Jornal Atualize nesta quinta-feira (17), ele afirmou que está enfrentando problemas de saúde e também na campanha. “Estou há 16 dias com minha campanha comprometida, pois o ferimento continua aberto e infeccionado com pus. Cada esforço a mais as dores aumentam e tenho febre. Continuo no tratamento com antibiótico”, relata.

O candidato informa ainda que fará uma ultrassonografia de abdômen total no dia 30 de setembro, para verificar se houve algum comprometimento de órgãos internos. “Farei uma Ultrassonografia do Abdômen Total no dia 30 deste mês no Hospital das Clínicas para saber se prejudicou algum órgão interno”.

Aroldo também critica a ausência de manifestações públicas sobre o episódio. “E mesmo após este período, nem o Governador Jerônimo Rodrigues e as grandes emissoras de TV se manifestaram sobre o ocorrido, um silêncio com consentimento das atrocidades desta PM do Governo da BA”, declara.

Duas versões sobre o momento do disparo

Manifestação 1º de setembro – Foto: Arquivo Pessoal

Segundo o candidato, os policiais não deram ordem de parada e, naquele momento, não havia trânsito interrompido nem manobras que oferecessem risco.

De acordo com a reportagem publicada no G1, em nota, A Polícia Militar afirma que precisou intervir depois que um grupo de motociclistas ocupou a faixa de rolamento da Paralela, na região do Bairro da Paz e Mussurunga, interrompendo o trânsito em uma das principais vias de Salvador.

De acordo com a PM, durante a intervenção, policiais foram alvo de arremessos de pedras, capacetes e outros objetos. A corporação também afirmou que foram registradas manobras de motocicletas que colocavam em risco os próprios condutores, policiais e outros motoristas.

Em nota, a UP contesta a atuação policial. “Questionamos a efetividade dessa ação por parte da PM, uma vez que a manifestação já estava dispersa e o ato durante toda sua duração foi pacífico, ao contrário do que foi alegado pela corporação”, afirmou o partido.

Até o momento da publicação desta reportagem, a Polícia Militar não havia divulgado informações sobre eventual responsabilização dos policiais envolvidos na ocorrência nem sobre a conclusão da investigação anunciada pela corporação.

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