Roda de conversa no Terreiro de Ofá reuniu mulheres para discutir enfrentamento às violências, ancestralidade, proteção e fortalecimento das comunidades de terreiro na Ilha de Itaparica.

Barroca, Vera Cruz (BA), 30 de agosto de 2026.
O Terreiro de Ofá, Ilê Asé Odé Ofá Omi Alaketu, localizado na comunidade da Barroca, em Vera Cruz, realizou neste domingo (30) a Roda de Conversa Agosto Lilás nas Comunidades de Terreiros. A iniciativa promoveu um espaço de reflexão, escuta e construção coletiva de estratégias para enfrentar as diversas formas de violência contra as mulheres.
O encontro reuniu mulheres com trajetórias marcadas pela luta e pela defesa de direitos. E, ao mesmo tempo, fortaleceu a presença e a ancestralidade das Yabás. Durante a manhã, o terreiro recebeu momentos de diálogo, acolhimento, cultura e espiritualidade.
A roda contou com a participação das moderadoras Edla Caroline, Dedea de Odelessi, Simone Paixão, Gisele França, Yá Rosa, Subtenente Rosenir e Lívia Ferreira. Elas conduziram debates sobre violência doméstica, violência política, violência de gênero, feminicídio, machismo, patriarcado, sexismo e lesbofobia social e institucional.
Além disso, as discussões trouxeram relatos e experiências relacionados às violências vivenciadas por mulheres, especialmente por aquelas que integram comunidades de terreiro na Ilha de Itaparica. O momento de escuta evidenciou, portanto, a necessidade de ampliar o debate dentro das comunidades religiosas de matriz africana e fortalecer ações coletivas de prevenção, proteção, denúncia e enfrentamento.
Ancestralidade, arte e espiritualidade fortalecem o encontro
A programação integrou cultura, arte e religiosidade de matriz africana. As participantes vivenciaram fundamentos relacionados à cultura e aos pontos das Yabás. Além de acompanharem intervenções artísticas realizadas ao longo da atividade no Terreiro de Ofá.
A Ronda Maria da Penha também participou do encontro e reforçou a importância da denúncia e da busca pela rede de proteção diante de situações de violência doméstica.
“Precisamos denunciar a violência doméstica” foi uma das mensagens centrais compartilhadas durante a roda. A afirmação reforçou a necessidade de romper o silêncio e ampliar o acesso das mulheres aos mecanismos de proteção e à justiça.
Outro assunto abordado foi o fortalecimento do turismo afrocentrado na Bahia e em Vera Cruz. A discussão reconheceu o papel das comunidades tradicionais, dos terreiros e da cultura de matriz africana na preservação da memória, da identidade e do patrimônio cultural.
Dessa forma, o encontro ampliou o debate para além do enfrentamento à violência e também valorizou os territórios, os saberes ancestrais e o protagonismo das comunidades tradicionais.
Ajeum e Xirê marcam programação de integração comunitária

A programação também foi atravessada pelo princípio da partilha. O Ajeum, compreendido como ato sagrado de partilha, esteve presente desde o café da manhã até o encerramento da atividade. Reforçando os vínculos entre as participantes.
No final da manhã, as mulheres vivenciaram um Xirê, ritual sagrado de dança, música e louvação aos Orixás. O momento proporcionou uma experiência de conexão com a espiritualidade e a ancestralidade.
Em seguida, o encontro foi encerrado com uma grandiosa Feijoada de Ogum, celebrando a força da comunidade, a fraternidade e os caminhos de prosperidade, cuidado e proteção.
Mais do que uma roda de conversa, a iniciativa se consolidou como um espaço de acolhimento, segurança, escuta e construção coletiva. A atividade demonstrou, assim, a importância de discutir as violências que atravessam a vida das mulheres. Além de construir, a partir dos próprios territórios, estratégias para enfrentá-las.
A Roda de Conversa Agosto Lilás nas Comunidades de Terreiros reafirmou que combater a violência contra as mulheres também significa garantir espaços de fala, fortalecer redes de proteção, valorizar a ancestralidade e reconhecer o protagonismo feminino.
Portanto, a iniciativa também reforça a importância de promover o diálogo dentro das comunidades, ampliar o acesso à informação e construir redes de apoio capazes de contribuir para uma sociedade mais justa, segura e livre de violências.
