Evento gratuito terá mostras competitivas com até R$ 3 mil em prêmios, oficinas e debate sobre o legado do cineasta baiano Olney São Paulo

Igreja da Matriz, Riachão do Jacuípe – Foto: Eliete Cordeiro

O município de Riachão do Jacuípe, no interior da Bahia, será palco, de 4 a 6 de setembro de 2026, do BACINE – Festival de Cinema da Bacia do Jacuípe, iniciativa que reúne cinema, formação, memória e cultura para aproximar o público da produção audiovisual baiana e fortalecer a circulação de realizadores e obras fora dos grandes centros.

Com programação voltada para diferentes públicos, o BACINE contará com Mostra Baiana, Mostra Estudantil, oficinas de formação audiovisual, atividades culturais, feira de artesanato regional e debates sobre a história do cinema produzido no território.

As inscrições para a Mostra Baiana estão abertas até 24 de agosto de 2026, às 23h59, e são gratuitas. Podem participar curtas-metragens de ficção, documentário, animação e experimental, produzidos ou dirigidos por pessoas nascidas ou residentes na Bahia. Os filmes inscritos devem ter até 25 minutos de duração, ter sido finalizados a partir de 2024 e ser apresentados em formato digital.

O festival também terá uma Mostra Estudantil, destinada a produções realizadas no âmbito de instituições de ensino fundamental, médio, técnico ou superior. Ao incluir estudantes na programação, o festival amplia o diálogo entre educação, cultura e cinema. Estimulando novas gerações a experimentar o audiovisual não apenas como espectadores, mas também como realizadores.

O BACINE também apoia quem faz o cinema acontecer. Serão R$ 3 mil em prêmios, além de troféus e certificados em diferentes categorias, como forma de reconhecer a criatividade, o talento e a força de quem transforma histórias em imagens e leva a Bahia para as telas.

Riachão do Jacuípe e a memória do cinema baiano

Laura Ferreira, coordenadora e curadora do BACINE – Foto: Acervo Pessoal

A escolha de Riachão do Jacuípe como sede está diretamente relacionada à história cinematográfica do território. A região já foi cenário de produções que contribuíram para registrar paisagens, personagens, costumes e questões sociais do interior da Bahia.

A jornalista e produtora cultural Laura Ferreira, coordenadora e curadora do BACINE, destaca a relação histórica da região com o cinema baiano. “Riachão é uma região cinematográfica e reivindicamos esse título. Acima de tudo, porque a cidade é terra do grande cineasta Olney São Paulo, um dos maiores precursores e defensores do cinema em nosso país. O próprio Dia Nacional do Documentário, celebrado em 7 de agosto, é uma homenagem à data de nascimento desse cineasta jacuipense que, em toda a sua vida, produziu obras marcantes sobre o interior brasileiro”, destaca Laura.

A história cinematográfica de Riachão do Jacuípe e da região está entre as experiências pioneiras do cinema no interior da Bahia. Em 1970, o diretor Geraldo Sarno levou para Pé de Serra, que na época pertencia a Riachão do Jacuípe como distrito, parte das filmagens de Coronel Delmiro Gouveia.

Na década de 1960, os cineastas Oscar Santana e Olney São Paulo rodaram O Caipora, no distrito de Chapada. Olney também realizou outras produções na região, entre elas Sinais de Chuva. É nesse cenário de paisagens sertanejas e memória cinematográfica que o BACINE realizará o ECOCINE, um passeio ciclístico até o local onde foram gravadas cenas do filme O Caipora. A atividade une cinema, história, natureza e território, aproximando o público dos lugares que fazem parte da memória audiovisual da região.

Olney São Paulo será tema na roda de conversa durante o festival

Yves São Paulo, organizador da coletânea Olney São Paulo – Foto: Jessica Cansta

Haverá uma roda de conversa com Yves São Paulo, doutor em Filosofia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com pós-doutorado pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), autor de A Metafísica da Cinefilia e organizador da coletânea Olney São Paulo por ele mesmo. Durante o encontro, Yves São Paulo vai falar sobre a trajetória, a obra e o legado de Olney São Paulo, um dos grandes nomes do cinema baiano.

A atividade faz parte da programação do dia 4 de setembro e busca aproximar o público da história do cinema produzido na Bahia, valorizando quem ajudou a construir essa trajetória

Formação audiovisual também faz parte da programação

Fernanda Walentina, diretora, roteirista e fotógrafa – Foto: Acervo Pessoal

Além das exibições e debates, o BACINE aposta na formação como uma das ferramentas para ampliar o acesso à produção cinematográfica. Entre as atividades estão três oficinas voltadas para diferentes etapas e linguagens do audiovisual:

– Do livro ao cinema: uma adaptação para ficção e documentário

Facilitadora: Fernanda Walentina, diretora, roteirista e fotógrafa. Fernanda foi diretora dos documentários Modernidade Ancestral – Xukuru do Ororubá (2019), É Preto, É Gente? (2020) e do curta Arapuã (ficção, 2024). Formada como roteirista pelos institutos Cinema Nosso e Roteiraria, também atuou como still na série de terror Atrofia (2023) e como assistente de fotografia em Necrópolis (ficção, 2018).

Ícaro Matheus, cineasta, produtor e roteirista – Foto: Acervo Pessoal

– Cinema de Bolso: possibilidades audiovisuais com equipamentos acessíveis.

Facilitador: Ícaro Matheus, cineasta, produtor e roteirista. Ícaro atua há 12 anos na produção audiovisual do Território do Sisal e é um dos idealizadores do Festival Agave de Cinema e Ligados Entretenimento.

– Fotografia no cinema: do olhar à imagem

Facilitador: Wadson Bahia, artista visual, fotógrafo e produtor cultural. Wadson já integrou equipes de fotografia de obras como As Dores do Mundo: Hyldon, Guerra do Pau de Colher e Terceira Ilha. Também atuou como diretor de fotografia em Licuri I e II e Alzira Rodrigues, a Loira da Estação. Também possui experiência como jurado nos Projetos Artísticos das Escolas Públicas do Governo da Bahia e no Projeto Despertar, do SENAR Bahia.

Literatura, cinema e valorização da cultura local

Gilmara Freitas, coordenadora geral do projeto LER RIACHÃO – Foto: Acervo Pessoal

A parceria entre o LER RIACHÃO e o BACINE amplia as possibilidades de valorizar e contar as histórias de Riachão do Jacuípe, aproximando literatura, cinema e diferentes linguagens. Durante o festival, a feira de integrada reunirá colégios, instituições e coletivos leitores, fortalecendo o intercâmbio entre iniciativas culturais e ampliando parcerias e espaços de circulação para produções independentes. “A parceria com o BACINE é muito importante porque amplia a proposta do LER RIACHÃO para além da literatura escrita. Unir a Feira Literária à Mostra de Cinema da Bacia do Jacuípe fortalece a produção cultural e aproxima diferentes linguagens. Assim, podemos ler Riachão pelas palavras e também pelas narrativas audiovisuais”, afirma Gilmara Freitas, professora, escritora, agente cultural e coordenadora geral do projeto LER RIACHÃO.

A iniciativa reforça o compromisso de valorizar a cultura produzida no próprio território, dando visibilidade aos seus artistas, histórias e narrativas e criando novas possibilidades de encontro com o público.

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