Mais de 813 mil acordos foram fechados no estado entre maio e julho, enquanto o ritmo de crescimento da inadimplência desacelerou em relação a 2025.

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Na Bahia, colocar a vida financeira em ordem parece ter ganhado espaço entre os consumidores. Entre maio e julho, mais de 413 mil pessoas renegociaram suas dívidas, somando mais de 813 mil acordos. O volume representa um crescimento de 46% em relação ao mesmo período do ano passado.

O resultado mostra que a busca por alternativas para colocar as contas em dia ganhou força no estado. Mesmo com o aumento das negociações, a Bahia encerrou julho com mais de 5,2 milhões de pessoas inadimplentes, segundo o Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa.

Em julho, o número de pessoas com contas atrasadas cresceu 0,86% em relação ao mês anterior. A alta ficou acima da média nacional, que foi de 0,23%. De um ano para o outro, a Bahia registrou uma mudança positiva no ritmo de crescimento das contas atrasadas. De acordo com o Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa, a média de crescimento da inadimplência no estado passou de 1,2%, entre maio e julho de 2025, para 0,79% no mesmo período de 2026.

O resultado aparece depois do período de São João, uma das principais festas do Nordeste e uma época de maior movimentação no comércio. Em junho, muitos baianos aproveitam as festas para comprar roupas, organizar viagens, reformar a casa e participar das celebrações. Para algumas famílias, porém, os gastos extras podem pesar no orçamento e virar dívidas nos meses seguintes.

Na prática, os números mostram que a inadimplência continua crescendo na Bahia, mas em um ritmo menor que no ano passado. Ao mesmo tempo, mais pessoas procuram negociar as dívidas e encontrar uma forma de colocar as contas em dia.

Depois da dívida, vem o aprendizado

Foto: Gilsimara Cardoso

A experiência de Kely Cristina, costureira e natural de Feira de Santana, mostra como o descontrole das dívidas pode ampliar rapidamente o valor de uma pendência, mas também como a renegociação pode abrir caminho para reorganizar a vida financeira.

Ela conta que acumulou uma dívida de R$ 2.500 em três cartões de crédito e ficou três anos sem conseguir pagar. Quando procurou uma alternativa para quitar o débito, o valor já havia chegado a quase R$ 25 mil. A situação mudou durante o Feirão Serasa Limpa Nome, quando Kely conseguiu negociar a dívida e quitá-la por R$ 450 à vista.

Depois de passar pela experiência, ela afirma que mudou a forma de lidar com o crédito. Hoje, prefere fazer compras à vista e recorre ao cartão apenas quando considera que a despesa pode representar um investimento.

Hoje eu não tenho mais interesse em comprar por comprar. Uso o cartão somente quando é para algo que considero um investimento. As outras coisas, prefiro comprar à vista. Precisei usar o cartão de crédito para reformar minha casa e parcelei de uma forma que consigo pagar. Para mim, isso é um investimento, porque a reforma valorizou o imóvel”, relata Kely.

No Brasil, contas atrasadas também preocupam

No cenário nacional, 83,9 milhões de pessoas terminaram julho com contas atrasadas. Ao todo, o país acumula mais de 348,3 milhões de dívidas em aberto, que somam R$ 586,4 bilhões.

Apesar do tamanho do problema, os números também mostram sinais de mudança. Entre maio e julho de 2025, a média mensal de crescimento da inadimplência no país chegou a 0,7%. No mesmo período de 2026, caiu para 0,2%.

Ou seja, assim como na Bahia, o número de pessoas com dívidas continua, mas o ritmo diminuiu em relação ao ano passado.

A pesquisa mostra ainda que metade dos consumidores (50%) gastou mais do que planejava nos primeiros seis meses de 2026.

Além disso, 54% dos entrevistados afirmam que costumam revisar o planejamento financeiro no meio do ano. Esse momento ajuda a conferir os gastos, identificar onde o dinheiro saiu do planejado e definir novas prioridades para os meses seguintes.

Metade dos brasileiros pretende quitar dívidas até o fim do ano

Foto: Ilustração

O levantamento também aponta uma mudança na relação dos consumidores com o dinheiro. Em comparação com a pesquisa realizada em 2025, aumentou em seis pontos percentuais o número de pessoas que colocam como principal objetivo manter as contas em dia. Agora, esse grupo representa 55% dos entrevistados.

O meio do ano é um momento importante para refletir sobre o planejamento financeiro e ajustar a rota quando necessário. Mesmo diante de um cenário de inadimplência ainda elevado, percebemos que os consumidores estão mais conscientes sobre a importância de reorganizar o orçamento e estabelecer metas compatíveis com sua realidade financeira”, afirma Aline Vieira, especialista em educação financeira da Serasa.

Para os próximos meses, quase metade dos brasileiros (49%) pretende quitar dívidas até o fim do ano. Outros 32% querem limpar o nome, enquanto 29% planejam formar uma reserva para emergências.

“Ao revisitar as metas neste meio de ano, esse pode ser o primeiro passo para retomar o controle das finanças ainda em 2026”. ressalta Aline.

A vontade de economizar mais

O desejo dos consumidores brasileiros em ter uma reserva financeira, aumentou. O percentual passou de 64% para 69%. Já 33% dos entrevistados afirmam que pretendem investir com maior frequência.

A intenção de reorganizar as contas também aparece no número de acordos. Entre maio e julho de 2026, os brasileiros fecharam mais de 14 milhões de acordos pelo Serasa Limpa Nome, um crescimento de 41% em relação ao mesmo período de 2025. vontade de economizar mais também aumentou.

Nesse intervalo, mais de 7 milhões de consumidores negociaram seus débitos pela plataforma.“Regularizar os débitos reduz o peso dos juros, melhora o acesso ao crédito e abre espaço para que objetivos financeiros, como formar uma reserva ou investir, se tornem mais viáveis”, reforça Aline.

Ao mesmo tempo, 74% dos entrevistados dizem estar otimistas com a própria situação financeira até o fim de 2026.

O resultado indica que, mesmo diante das dificuldades, muitos consumidores acreditam que ainda podem reorganizar o orçamento.

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