Projeto da Fundacentro e do Ministério do Trabalho promove capacitações, pesquisa científica e ações voltadas à saúde e à segurança dos pescadores artesanais
Por Gilsimara Cardoso
16/07/2026
Nesta quarta-feira (15), pescadoras e pescadores artesanais participaram de uma formação em primeiros socorros na comunidade de Misericórdia, em Itaparica. Com apoio da presidente da Associação de Apoio à Mariscagem e à Pesca da Ilha de Itaparica ( AMARPI), Adriana Fênix Araújo do Nascimento. Além disso, teve o apoio do 5º Batalhão de Bombeiros Militar (5º BBM) – 2ª Companhia da Ilha de Itaparica.
A ação integra o projeto “Trabalho Saudável e Seguro na Pesca Artesanal”, desenvolvido pela Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), com apoio do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Projeto contribui para políticas públicas voltadas à pesca artesanal
O projeto também atua nos estados da Bahia, Maranhão, Piauí, Amazonas e Pará, que concentram mais de 70% dos pescadores artesanais do país. Em Itaparica, a primeira etapa reuniu entrevistas sobre o seguro-defeso. Agora, a iniciativa segue com oficinas de saúde e segurança no trabalho, primeiros socorros, educação ambiental, mapeamento biorregional e direitos dos pescadores.
Além disso, os Agentes Territoriais Locais (ATLs) Evelyn Coelho Rocha e Fabrício Cesar Couto da Silva conduzem a pesquisa científica da Fundacentro no município de Itaparica. O estudo mapeia o perfil dos pescadores artesanais e identifica as principais demandas da categoria. Posteriormente, os dados subsidiarão a formulação de políticas públicas e ações voltadas à promoção de ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis para os profissionais da pesca artesanal.
A próxima ação acontecerá dia 23 de julho, às 9h, na Colônia de Pescadores Z-12, em Amoreiras. O encontro dará continuidade às orientações sobre primeiros socorros e cuidados com a saúde na pesca artesanal. Pescadoras, marisqueiras e pescadores estão convidados a participar, independentemente da entidade à qual sejam associados. Nesta edição, a ação contará com o apoio da Secretaria Municipal de Saúde e da Secretaria Municipal da Pesca de Itaparica.
Oficinas fortalecem a prevenção e a segurança dos trabalhadores
De acordo com os agentes, embora algumas oficinas aconteçam nas sedes de associações e colônias de pesca, qualquer pescador artesanal pode participar, independentemente de ser associado.
A equipe organizadora define os locais dos encontros a partir de critérios de infraestrutura e acessibilidade. Garantindo, dessa forma, a participação ampla e inclusiva dos pescadores, sem qualquer vínculo político ou institucional.
Ao longo dos próximos meses, as atividades seguirão até novembro, com a realização de pelo menos dois encontros mensais. A participação dos pescadores ocorre de forma voluntária. Não interfere na concessão do seguro-defeso e assegura certificado aos participantes. Além disso, cada adesão entra no registro da plataforma nacional do projeto. Fortalecendo, assim, as ações de valorização e proteção da pesca artesanal.
Durante a formação realizada em Misericórdia, mais de 60 pescadores participaram das atividades conduzidas pelos soldados das Neves e Davidson, do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia. Integrantes do 5º Batalhão de Bombeiros Militar (5º BBM) – 2ª Companhia da Ilha de Itaparica.
Na ocasião, os militares orientaram os participantes sobre procedimentos de segurança e técnicas de primeiros socorros para situações como afogamentos, convulsões, engasgos e acidentes comuns na rotina da pesca. Com isso, a formação ampliou o conhecimento dos pescadores sobre prevenção de riscos e atendimento emergencial durante a atividade profissional.
Mobilização de pescadoras e pescadores
Para o Agente Territorial Local Fabrício Cesar Couto da Silva, a expressiva participação dos pescadores demonstra o interesse da categoria em adquirir conhecimentos capazes de salvar vidas. “O encontro de hoje foi extremamente produtivo e gratificante. Pescadores de toda Itaparica foram mobilizados pelos ATLs e por Adriana, liderança da associação de pesca, e se uniram em Misericórdia em prol da segurança e saúde no trabalho da pesca. Os soldados das Neves e Davidson, do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia, nos ensinaram procedimentos de segurança, cuidados de primeiros socorros em casos de afogamento, convulsões, engasgos e acidentes”, ressalta.
Já a Agente Territorial Evelyn Coelho Rocha destacou que o retorno positivo dos participantes reforça a importância do projeto para a valorização da pesca artesanal. E, além disso, contribui para a construção de políticas públicas voltadas à saúde e à segurança dos trabalhadores. “Os relatos após o encontro foram estimulantes. Os participantes mencionaram a importância deste trabalho para o fortalecimento da pesca artesanal no município“, afirma.
Associação destaca importância da capacitação para a comunidade
Neste sentido, a presidente da Associação de Apoio à Mariscagem e à Pesca da Ilha de Itaparica (AMARPI), Adriana Fênix Araújo do Nascimento, avaliou positivamente a realização da formação e destacou que iniciativas voltadas à prevenção de acidentes fortalecem a pesca artesanal, promovem a integração entre os trabalhadores e ampliam o diálogo com as instituições parceiras.
“Achei a iniciativa extremamente importante para os pescadores e marisqueiras da nossa comunidade. A presença do Corpo de Bombeiros trouxe orientações valiosas sobre primeiros socorros. Para a AMARPI, ações como essa fortalecem o diálogo entre os trabalhadores. O poder público e as instituições parceiras, contribuindo para mais organização, valorização e dignidade para quem vive da pesca artesanal. Ficamos muito felizes em receber essa atividade e esperamos que outras iniciativas semelhantes continuem chegando à nossa comunidade.”
Pescador elogia ação e defende criação de cooperativa em Misericórdia
Ao final da formação, o pescador Carlos Augusto Portela Moraes elogiou a iniciativa. Destacando a importância das orientações sobre segurança para quem vive da pesca artesanal. Além de avaliar positivamente a atividade, ele defendeu que o poder público invista no fortalecimento das cooperativas e apoie a criação de uma cooperativa para pescadores e marisqueiras da comunidade de Misericórdia, em Itaparica.
“Acho excelente o trabalho, bom, bonito, observando os pescadores, como devemos agir na segurança, né? Agora a gente precisa de uma cooperativa aí, né? Marisqueiro. E que o governo possa trabalhar nisso aí, em cima disso aí, entendeu? Pra que a gente tenha mais uma qualificação nas pescas, qualidade, segurança, é? … mostrar que a Misericórdia tá envolvida na pesca. Isso é importante na nossa vida. Deus abençoe [sic].“
Primeiras formações destacaram preservação ambiental e cartografia social
As duas primeiras formações do projeto foram dedicadas à Educação Ambiental, com foco na relação entre preservação dos ecossistemas e segurança no trabalho da pesca artesanal. O primeiro encontro foi realizado em 17 de junho de 2026, na sede da Associação de Marisqueiros e Pescadores de Amoreiras (AMPA), no bairro de Amoreiras. Já a segunda formação ocorreu em 30 de junho de 2026, na sede da Associação de Moradores, Pescadores e Marisqueiras de Itaparica (AMPMI), na comunidade de Misericórdia.
Durante as atividades, pescadores e marisqueiras participaram de discussões sobre temas como mapeamento biorregional e cartografia social. Ferramentas que contribuem para o reconhecimento dos territórios tradicionais e para a identificação das características ambientais das áreas de pesca. As capacitações também abordaram a importância da preservação ambiental como um dos elementos fundamentais para a saúde, a segurança e a sustentabilidade da pesca artesanal.