Levantamento revela que surfistas identificam impactos das mudanças climáticas e da poluição no litoral, além de cobrar ações mais efetivas do poder público e das empresas.
Por Redação

Lançada em junho, a pesquisa Raio-X Ecosurf 2024–2025 revela que 91,8% dos surfistas brasileiros já percebem os impactos das mudanças climáticas no Oceano Atlântico. O Instituto Ecosurf realizou o estudo com surfistas de 18 estados, reuniu 539 respostas válidas e analisou a percepção sobre 725 locais de surfe em todo o país.
Entre os principais impactos observados, 53,6% dos participantes apontam a elevação do nível do mar. Além disso, 50,3% destacam a perda ou o estreitamento das praias.
A pesquisa também evidencia a preocupação com a poluição. Enquanto 93,9% dos entrevistados afirmam encontrar resíduos plásticos sempre ou frequentemente nos ambientes costeiros, 43,2% relatam a presença recorrente de animais marinhos mortos. Dessa forma, os resultados reforçam a percepção de degradação ambiental nos territórios do surfe.
“O surfista funciona como um sensor social e ecológico da zona costeira. Ele observa o mar diariamente e percebe mudanças na água, nas ondas, na areia, na fauna e na presença de lixo”, afirma João Malavolta, CEO do Instituto Ecosurf.
Envolvimento
Os impactos ambientais também influenciaram o comportamento dos praticantes. Segundo a pesquisa, 97,2% mudaram hábitos pessoais para reduzir os impactos ambientais. Ao mesmo tempo, 99,6% cobram investimentos públicos permanentes no combate à poluição, enquanto 98% defendem maior responsabilização das empresas.
De acordo com o Instituto Ecosurf, esses resultados mostram que a comunidade do surfe reconhece a importância das ações individuais. No entanto, os participantes também exigem políticas públicas, fiscalização, infraestrutura e maior responsabilidade corporativa.
Bahia
A Bahia reúne o maior número de respondentes do levantamento, com 7,2% do total nacional. Em Itacaré e Ilhéus, 13 surfistas participaram da pesquisa. No estado, 74,4% afirmam que as mudanças climáticas afetam significativamente o Oceano Atlântico e as condições para a prática do surfe.
Além disso, 97,4% demonstram algum grau de preocupação com a poluição plástica no oceano, e o mesmo percentual afirma ter mudado a rotina para reduzir os impactos ambientais. Por outro lado, 64,1% consideram insuficiente o engajamento dos próprios surfistas na proteção da natureza.
Observatório
Além da pesquisa, o Instituto Ecosurf lançou o Observatório Ecosurf, uma plataforma digital interativa que permite explorar os resultados, cruzar dados, filtrar informações por território, visualizar gráficos, comparar recortes nacionais e regionais e acessar respostas abertas.
A plataforma oferece suporte a jornalistas, pesquisadores, educadores, organizações da sociedade civil e gestores públicos. Assim, facilita a interpretação dos dados e contribui para a elaboração de políticas voltadas à proteção das praias, das ondas e dos ecossistemas costeiros.
Para aproveitar todos os recursos, o Instituto Ecosurf recomenda acessar a plataforma pelo computador. Isso porque mapas, gráficos interativos, painéis comparativos e ferramentas de exploração semântica apresentam melhor desempenho em telas maiores.
Fonte: Publicado por Márcio Leal Gonçalves, responsável pela mídia Instituto Tijuípe, em 14/07/2026 no Território Mídias Brasil