Há países que a gente percorre, e há outros que nos recebem como se já fizéssemos parte deles, o Paraguai está nos ensinando isso.

Por Nazareth Reales

Paraguai – Foto: Arquivo pessoal

Depois do capítulo anterior onde falávamos sobre “a pedagogia do invisível”, desses aprendizados silenciosos que nascem enquanto o mundo continua acelerado, sabemos que essa viagem não se sustenta apenas pelas bicicletas ou pela força física. Ela se sustenta pelas pessoas que aparecem no momento certo. Por quem acredita em uma família viajando lentamente para transformar o caminho em uma experiência educativa e humana.
Por quem decide compartilhar um pouco da sua cultura, da sua história e do seu coração.

Este capítulo nasce justamente daí: dos encontros.
Porque o Paraguai não nos recebeu apenas com estradas e paisagens.
Nos recebeu com tereré compartilhado debaixo da sombra.
Com conversas em yopara essa mistura viva entre espanhol e guarani onde, mesmo sem entender cada palavra, é possível compreender perfeitamente o acolhimento.
Nos recebeu com pessoas que fazem o caminho também parecer lar.

Ramona Britos e suas filhas Luiza Cañete Britos e Magdalena Cañete Britos – Foto: Arquivo pessoal

Em cada lugar surgem vínculos inesperados.
Como Ramona Britos, junto de suas filhas Luiza Cañete Britos e Magdalena Cañete Britos, que mais do que nos oferecer ajuda, permitiram que entrássemos em sua rotina. Compartilhamos conversas simples, histórias, refeições e momentos que acabam ensinando muito mais sobre um território do que qualquer guia turístico.

Sued e toda a equipe de trabalho do supermercado Líder de Nueva Esperanza, Canindeyú – Foto: Arquivo pessoal

Ou como o supermercado Líder, em Nueva Esperanza, que decidiu se somar a essa travessia familiar nos apoiando com alimentos e compartilhando com orgulho algo profundamente simbólico: o café Guarania, um café 100% paraguaio cultivado nesta mesma região de Canindeyú.

O Paraguai que existe nos encontros

Mas o mais valioso nunca foi apenas o café.
Foi o que aconteceu ao redor dele.
A conversa.
A troca cultural.
A curiosidade mútua.
Eles querendo conhecer nosso olhar como família colombiana viajante; nós descobrindo o Paraguai através das pessoas que o habitam.

E foi aí que entendemos que a viagem deixa de se tratar apenas de quilômetros.
Ela passa a se tratar de comunidade.
De redes humanas que nascem no caminho.
De pessoas que talvez nem nos conhecessem antes, mas decidem caminhar um trecho ao nosso lado.

É exatamente isso que também está acontecendo com a campanha de apoio que iniciamos desde o Capítulo 15.

As pessoas que transformam a viagem

João Gaspar, ciclista do Brasil, que admirou e apoiou nossa viagem em família – Foto: Arquivo pessoal

Cada pessoa que se uniu até agora não está apenas contribuindo para melhorar equipamentos ou ferramentas. Está ajudando para que essas histórias continuem sendo contadas. Está apostando em uma forma diferente de educar, aprender e conectar culturas através do movimento.

Obrigado a todos que já decidiram acreditar neste projeto.
Graças a vocês, hoje podemos dar passos importantes e melhorar a qualidade com que documentamos essa experiência. Este novo vídeo também é resultado desse apoio coletivo.

Mas o caminho continua.
Ainda existem muitos territórios para percorrer, histórias para registrar e encontros para compartilhar.

Nueva esperanza Canindeyú – Foto: Arquivo pessoal

Por isso, a campanha continua aberta para quem quiser se juntar e fazer parte dessa rede humana que está sendo construída ao redor da viagem.

Porque cada contribuição, grande ou pequena, acaba se transformando em algo muito mais profundo do que uma ajuda econômica:
transforma-se em confiança,
em encontro,
em troca cultural,
e na possibilidade de continuar demonstrando que outra forma de aprender e habitar o mundo é, sim, possível.

Talvez isso seja o mais valioso que o Paraguai está nos ensinando:
que as fronteiras existem nos mapas,
mas desaparecem quando alguém compartilha sua mesa, seu tereré, sua cultura… e decide acreditar no caminho do outro.

Obrigado por viajarem conosco. Nos vemos no próximo capítulo do Jornal Atualize.

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