Da adolescência à gestação, vacinação protege, previne doenças graves e fortalece o cuidado com o corpo ao longo dos anos.
Por Gilsimara Cardoso

A vacinação vai muito além da infância e se consolida como uma das principais estratégias de cuidado com a saúde ao longo da vida. No caso das mulheres, esse acompanhamento ganha ainda mais relevância. Já que diferentes fases exigem atenção específica para garantir proteção individual, prevenir doenças e assegurar uma gestação mais segura no futuro.
Além de reduzir o risco de infecções e complicações respiratórias. Manter o calendário vacinal atualizado contribui diretamente para a prevenção de doenças graves, como o câncer do colo do útero, um dos mais incidentes no país.

De acordo com o epidemiologista Dr. José Geraldo Leite Ribeiro, do Grupo Fleury, que detém a Diagnoson a+ na Bahia, embora homens e mulheres sigam, em grande parte, as mesmas recomendações vacinais. A saúde feminina apresenta particularidades que exigem um olhar mais atento ao longo da vida.
“Há vacinas que assumem papel estratégico em certos períodos, tanto pela proteção individual quanto pelos efeitos positivos sobre uma futura gestação e pela prevenção de doenças ao longo dos anos”, explica o médico.
Prevenção começa cedo

A adolescência representa um ponto decisivo nesse cuidado. Nesse período, revisar o cartão de vacinação se torna fundamental, especialmente pela oportunidade de prevenir infecções que podem gerar impactos ao longo da vida adulta.
Entre as principais vacinas, destaca-se a proteção contra o HPV, responsável por reduzir significativamente o risco de câncer do colo do útero. Dados do Instituto Nacional de Câncer indicam que o Brasil deve registrar 19.310 novos casos da doença por ano entre 2026 e 2028. O que reforça a importância da imunização precoce.
A versão mais atual da vacina, conhecida como HPV-9, amplia a cobertura contra nove subtipos do vírus. Paralelamente, outras vacinas também merecem atenção nessa fase, como as de rubéola e varicela, que precisam estar atualizadas antes da vida reprodutiva.
“São vacinas com vírus atenuados e que não podem ser aplicadas durante a gravidez. Por isso, atualizar a proteção antes da vida adulta evita riscos futuros”, afirma o Dr. José Geraldo.
Proteção que atravessa gerações

Durante a gravidez, a vacinação passa a ter um papel ainda mais estratégico. Nesse momento, o cuidado com a saúde da mulher também impacta diretamente o desenvolvimento e a proteção do bebê.
Isso ocorre porque, durante a gestação, os anticorpos produzidos pela gestante atravessam a placenta e, assim, oferecem uma defesa importante ao recém-nascido nos primeiros meses de vida, fase em que o sistema imunológico ainda se encontra em formação. “Quando a gestante se vacina, ela produz anticorpos que atravessam a placenta e ajudam a proteger o recém-nascido em um período em que o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento”, orienta o epidemiologista.
Entre as vacinas recomendadas nesse período, está a dTpa, indicada em todas as gestações a partir da 20ª semana. Além dela, a vacina contra influenza pode ser aplicada em qualquer fase da gravidez. Assim como a vacina contra COVID-19. A partir da 28ª semana, entra também a proteção contra o vírus sincicial respiratório, fundamental para prevenir quadros respiratórios graves nos primeiros meses de vida do bebê.
Cuidado contínuo

Ao longo da vida adulta, a vacinação segue como uma ferramenta essencial de prevenção. Manter o cartão atualizado garante proteção contra uma série de doenças e evita complicações que podem surgir com o passar dos anos.
Entre as principais recomendações estão as vacinas contra hepatite B (três doses), além dos reforços contra difteria, tétano e coqueluche a cada dez anos. Também se destacam as vacinas contra sarampo, caxumba e rubéola, febre amarela, hepatite A e meningites dos tipos ACWY e B.
Além disso, a vacinação anual contra a gripe permanece indispensável em todas as faixas etárias, especialmente para reduzir o risco de complicações respiratórias.
Outro destaque é a vacina Qdenga, indicada em duas doses para mulheres com menos de 60 anos, inclusive para quem já teve dengue anteriormente, embora não deva ser aplicada durante a gravidez.
Consulta ginecológica como aliada
A rotina de cuidados com o ginecologista também pode contribuir para fortalecer a imunização. Como resultado, como muitas mulheres mantêm acompanhamento regular, esse momento se torna estratégico para revisar o cartão vacinal e identificar possíveis pendências.
Apesar dos avanços, a baixa cobertura vacinal entre adultos ainda preocupa. Dados recentes apontam que, em 2025, apenas as vacinas BCG e hepatite B para recém-nascidos alcançaram a meta estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações.
Nesse cenário, especialistas reforçam a importância de ampliar o acesso à informação e incentivar a atualização vacinal em todas as idades.
“A vacinação não termina na infância. Esse ainda é um dos principais equívocos que dificultam a proteção adequada da população adulta”, conclui o médico.