Com o tema “Tecnologia Ancestral”, o festival reúne mais de 100 artistas, shows, ações comunitárias e inovação na cobertura colaborativa.

Por Gilsimara Cardoso

Festival Internacional de Graffiti Bahia de Todas as Cores (BTC) – Foto: Carol Garcia

Salvador volta a respirar arte urbana com a chegada da 8ª edição do Festival Internacional de Graffiti Bahia de Todas as Cores (BTC). Entre os dias 26 e 29 de março, a capital baiana se transforma em um grande ateliê a céu aberto. Conectando territórios, linguagens e pessoas em torno de uma proposta que vai além da estética, provoca reflexão, pertencimento e circulação de saberes.

Com o tema “Tecnologia Ancestral”, o festival ocupa o Centro Histórico e o bairro de Massaranduba, o festival reúne mais de 100 artistas locais, nacionais e internacionais.

Ao longo de quatro dias, o público acompanha intervenções em tempo real, participa de debates e vivências, e mergulha em uma programação gratuita que amplia o olhar sobre a arte urbana contemporânea.

Alex Hornest – Foto: Acervo GGAMMERRA

Para o artista Alex Hornest, iniciativas como essa evidenciam a força coletiva da arte e seu impacto direto no cotidiano urbano. “Festivais como o BTC nos ensinam qual é a verdadeira importância da valorização das artes, que quando bem estruturados acabam sendo um grande palco e presente para toda a cidade... Eventos assim acabam sendo uma explosão para as artes. Um convite à criatividade, uma oportunidade a ousadia e um excelente momento para a confraternização, reunindo inúmeros talentos em um só espaço. Talentos esses que não atuam apenas nas ruas, mas também em outras vertentes e caminhos do fazer artístico.

Ao utilizar espaços públicos em narrativas visuais, o evento fortalece o diálogo entre arte, território e comunidade.

Circulação artística e diversidade criativa

Festival Internacional de Graffiti Bahia de Todas as Cores (BTC) – Foto: Carol Garcia

O BTC posiciona os artistas em diferentes pontos da cidade, promovendo uma verdadeira circulação cultural. Enquanto 60 nomes foram selecionados por convocatória pública com curadoria do Coletivo Vai e Faz, outros 40 participam de forma independente, ampliando o intercâmbio entre estilos, trajetórias e experiências.

Entre os destaques, nomes como Witch, Lu Bicalho, Shock e Manuel Gerullis integram um conjunto diverso que reflete a potência da cena urbana. Assim, cada painel pintado carrega não apenas tinta, mas identidade, memória e posicionamento.

Por outro lado, a programação não se limita ao graffiti. O BTC incorpora mesas de debate, masterclasses e atividades formativas que conectam arte e mídia, ampliando o campo de atuação dos participantes e fortalecendo a profissionalização do setor.

Protagonismo feminino e compromisso social

Festival Internacional de Graffiti Bahia de Todas as Cores (BTC) – Foto: Arivaldo Publio

Nesta edição, o festival alcança um marco importante ao estabelecer a paridade de gênero entre os artistas participantes. Esse avanço não surge por acaso, mas como resultado de iniciativas contínuas de incentivo. Principalmente com as ações da plataforma Flor de Cacto, que atua na formação e fortalecimento de mulheres na arte urbana.

Festival Internacional de Graffiti Bahia de Todas as Cores (BTC) – Foto: Arivaldo Publio

Ao mesmo tempo, o BTC amplia seu compromisso social. O evento implementa ações de redução de danos e estabelece uma política rigorosa de tolerância zero contra o assédio. Com isso, cria um ambiente mais seguro, inclusivo e consciente para todos os participantes.

Não basta promover arte; é preciso promover cuidado. O BTC entende que cultura também é responsabilidade social. Criamos protocolos claros para garantir segurança e acolhimento às mulheres e a todo o público”. Enfatiza Luciana Mendes, organizadora e produtora do festival.

Comunidade, território e transformação

Festival Internacional de Graffiti Bahia de Todas as Cores (BTC) – Foto: Carol Garcia

Entre os destaques da programação está o mutirão de arte e graffiti, que acontece na sexta-feira, 27 de março, na sede do Coletivo Musas, no bairro de Massaranduba, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. A iniciativa reúne artistas e moradores em uma intervenção urbana coletiva, acompanhada por uma feijoada comemorativa, com o objetivo de fortalecer a integração entre cultura e comunidade.

A ação reforça a proposta central do festival de ocupar espaços públicos, promover o diálogo com a população local e estimular a transformação dos territórios por meio da arte.

Conectando som, corpo e território.

Festival Internacional de Graffiti Bahia de Todas as Cores (BTC) – Foto: Carol Garcia

A música também ganha destaque na programação com o BTC Sound Fest, que acontece na Praça Tereza Batista, no Pelourinho. Entre as atrações confirmadas estão os shows de Fragmento do Samba, Freelion e BNegão. Além das apresentações do Circuito Sound System, liderado pelo Ministereo Público, pioneiro na cultura sound system na Bahia.

O projeto reúne ainda coletivos como Respiro Soundz Dub System, Setembro Sistema de Som, Jahmin Sound System e Vidas Negras Sistema de Som. Promovendo batalhas e encontros musicais que dialogam com a cultura urbana.

A programação inclui ainda masterclasses, mesas de debate sobre arte urbana e mídias sociais, vivências de graffiti, pintura oficial do circuito BTC 2026 e a tradicional foto coletiva com os artistas participantes.

O 8º Festival BTC conta com apoio financeiro do Fundo de Cultura – Secretaria da Fazenda – Secretaria de Cultura – Governo do Estado da Bahia, por meio do Edital 03/2023 Eventos Culturais Calendarizados – FCBA, e com o apoio financeiro da FUNARTE por meio do Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas 2025 – Artes Visuais. 

Comunicação popular em destaque

Foto: Divulgação / Território Mídias Brasil

Se a arte urbana já movimenta intensamente o cenário cultural, o BTC 2026 avança ainda mais ao impulsionar também a comunicação popular. Neste contexto, o festival inova ao integrar a cobertura colaborativa da rede Território Mídias Brasil, em parceria com o Jornal Atualize, com transmissão realizada pelo Ubqub.

Dessa forma, a proposta rompe com o modelo tradicional de cobertura. Por meio de um QR Code, artistas e convidados passam a acessar uma transmissão ao vivo e, ao mesmo tempo, produzir conteúdos simultaneamente, diretamente de diferentes pontos do evento, ampliando vozes e perspectivas.

A primeira transmissão ao vivo acontece durante o Mutirão da Pintura, na Fazendinha do Graffiti, na sexta-feira, 27 de março, das 13h às 16h.

Já no dia seguinte, sábado, 28 de março, no mesmo horário, a cobertura continua no Muro Oficial do Centro Histórico.

O BTC não apenas exibe arte, ele cria uma rede viva de narrativas, onde cada participante se torna também comunicador

Festival Internacional de Graffiti Bahia de Todas as Cores (BTC) – Foto: Arivaldo Publio

A iniciativa integra a proposta do Território Mídias Brasil (TMB), primeira rede de mídias de comunicação popular, que aposta na articulação entre veículos independentes e periféricos para fortalecer a circulação de informações e narrativas sobre o evento em escala nacional.

Para Dad Matos, coordenadora do Território Mídias Brasil, a experiência reafirma o potencial das Mídias Periféricas. “O Festival BTC é uma mostra do que a união entre Mídias pode fazer em rede nacional, uma inspiração para que todas as Mídias possam sentir o que é ter seu alcance ampliado na cobertura de um evento regional. Nosso objetivo é mostrar esse poder em rede. Assim como a Dois Neguin cobriu nossa atuação experimental no Circuito Rango em SP, uma realização da Agência Solano Trindade e da Rádio Mixtura, o Jornal Atualize vai cobrir o Bahia de Todas as Cores para todo o Brasil.

Para participar, basta acessar o QR Code, disponibilizado em diversos pontos do BTC, entrar na live com o áudio fechado para garantir organização e fluidez na transmissão.

Um festival que amplia horizontes

Festival Internacional de Graffiti Bahia de Todas as Cores (BTC) – Foto: Carol Garcia

Com mais de uma década de trajetória, o BTC consolida seu papel como um dos principais eventos de arte urbana do Brasil. Ao mesmo tempo, renova sua proposta ao integrar cultura, tecnologia e comunicação popular.

Porque a arte urbana não apenas transforma paisagens, ela movimenta ideias, fortalece comunidades e redefine a forma como a cidade se comunica consigo mesma.

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