Uma semana para reorganizar a bagagem interna e decidir o que realmente importa no caminho

Por Nazareth Reales

Foto: Nazareth Reales

Começamos mais uma semana. Outra etapa no caminho. Outro capítulo nesse percurso que não se mede apenas em quilômetros, mas em escolhas. Antes de seguir, como quase sempre fazemos, olhamos novamente para as alforjas. Não para acrescentar algo, e sim para perguntar se tudo o que carregávamos ainda fazia sentido.

Quando viajamos de bicicleta, o peso deixa de ser abstração. Ele aparece nas pernas, na respiração, no ritmo que se quebra quando o terreno começa a subir. E quando viajamos em família, tudo isso se intensifica. Não carregamos apenas nossa bagagem. Levamos as necessidades de uma criança que cresce e muda a cada etapa, e também de um cão que faz parte da equipe. Cada objeto ocupa espaço, mas principalmente ocupa energia. E essa energia tem limite.

Família Bikeagle – Foto: Acervo pessoal

No Capítulo 1, ao revisitar o inventário de 2026, observamos o que 2025 realmente foi. Colocamos no papel, sem filtros, tudo o que vivemos. Depois, no Capítulo 2, avaliamos a evolução do propósito em movimento. Identificamos o que fizemos, o que aprendemos, o que nos sustentou e o que nos desgastou. Esse processo trouxe clareza, mas não encerrou o ciclo.
Porque, depois de olhar com honestidade, chega a hora de decidir.

Decidimos o que vamos continuar carregando, e o que já não precisa seguir conosco. Aprendemos no caminho que empacotar não significa acumular. Empacotar significa escolher. E, para escolher, precisamos renunciar. Essa renúncia incomoda, principalmente quando nos apegamos a coisas que guardamos “por precaução”. Porém o caminho ensinou uma verdade simples: tudo o que não é essencial, mais cedo ou mais tarde, vira peso.

Quando o caminho fala mais alto

Pollar nosso guardião – Foto: Nazareth Reales

Existem subidas que não oferecem trégua. Nessas horas, o corpo anda devagar e a mente tenta negociar. É justamente nesse ponto que o caminho nos obriga a priorizar, não pela teoria, mas pela experiência direta.
Se quisermos seguir, precisamos soltar.

Com o tempo, percebemos que antes de cada etapa sempre surgiam as mesmas perguntas internas. Não como um método formal, mas como um diálogo alimentado pelo cansaço e pelo desejo de continuar avançando:

Foto: Acervo pessoal

Mesmo quando as respostas não apareciam de imediato, apenas formular essas perguntas já reorganizava nosso ritmo, nossas expectativas e até nosso fôlego.

Um dia entendemos que essas perguntas não serviam apenas para a viagem.

Na vida acontece o mesmo

Acumulamos compromissos, ideias, responsabilidades, medos e expectativas que já tiveram função, mas hoje apenas nos atrasam. E, assim como na bicicleta, chega um momento em que insistir em levar tudo torna o avanço insustentável.

A vida sempre avisa.
Às vezes com uma subida mais longa do que o previsto.
Outras vezes com um cansaço que não passa.
Ou até com a sensação constante de estar empurrando mais do que conseguimos sustentar.

Isso não representa castigo.
É sinal.
Sinal de que talvez seja o momento de soltar. Não para desistir, mas para priorizar.

O exercício da semana: Limpeza de cargas

Foto: Nazareth Reales

Viajar de bicicleta nos mostrou que o ponto central não está em quanto peso conseguimos mover, mas em quanto estamos dispostos a deixar para trás. E isso também vale para os nossos projetos, sonhos e metas para este novo ciclo.

Por isso, a proposta desta semana é simples e profunda:

Exercício · Limpeza de Cargas
Se esta semana fosse uma etapa da viagem, pergunte-se com honestidade:

Foto: Nazareth Reales

  1. O que estou carregando hoje?
  2. O que disso tudo realmente importa para que eu avance?
  3. O que posso soltar para tornar o caminho mais leve?

Não precisamos responder tudo agora. Basta começar a observar o peso com outro olhar.
Porque avançar não significa somar. Muitas vezes, avançar significa escolher.
E escolher, quase sempre, exige abrir mão.

Quando soltamos o que não serve mais, até o silêncio fica diferente.
Nesse espaço renovado nasce uma voz mais clara, mais honesta e mais consciente do que sustenta o caminho.

No próximo capítulo, falaremos desse ajuste interno que transforma a forma como narramos a própria jornada, e da gratidão que surge quando deixamos de correr e começamos a reconhecer.

Uma resposta

  1. Família abençoada a sua Nazareth , conheci vcs em Brasília e cada dia me sinto muito sortudo . Conhecer vcs me fez muito melhor . A garra e força da família estão de parabéns. Viver vale muito 👏👏👏❤️❤️❤️

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *