Uma tarde marcada por música, encontros e afirmação da cultura popular na Ilha de Itaparica
Por Redação

Foto: Graça de Jesus
A Praia do Duro, em Mar Grande, vibrou intensamente no último domingo, 11 de janeiro. Desde cedo, a batucada encontrou as ondas do mar e o samba tomou conta da praça, criando um cenário radiante no coração de Vera Cruz. Centenas de pessoas ocuparam cada canto do espaço, trazendo alegria, reencontros e uma energia coletiva que só o samba consegue provocar. Sorrisos espontâneos, passos marcados e abraços emocionados mostraram que Mar Grande sempre acolhe a cultura popular com força e entusiasmo.

Foto: Lívia Ferreira
Além disso, o clima descontraído e cheio de axé refletiu a potência de uma música que atravessa gerações. O Grupo de Samba Raiz Batucada Brasileira, nascido no Pau Miúdo, em Salvador, conduziu a tarde com um repertório consistente e cheio de memória afetiva. O grupo, que carrega seis anos de trajetória nas ruas e praças da Bahia, continua firmando seu compromisso de levar música de qualidade, criando ambientes agradáveis e acolhedores.
Atualmente, sete artistas compõem o Batucada Brasileira.
Edy Carlos (voz e surdo), Denilton (tantã), Nilton Passos (bateria), Duda Tavares (pandeiro e voz), Vagner Trindade (baixo), Ximbica (banjo) e Paulo (cavaquinho). Juntos, eles elevam o nível da apresentação e reafirmam que o samba tradicional permanece vivo, criativo e fundamental na construção da identidade cultural da Ilha de Itaparica.
Lívia Ferreira fortalece a roda e impulsiona a presença feminina no samba

Lívia Ferreira (camisa branca) – Foto: Graça de Jesus
Para completar a festa, a participação especial de Lívia Ferreira, no pandeiro, encantou o público. Ela chegou com sua malemolência característica, muito carinho e disposição para espalhar samba pela Ilha. Apesar dos desafios que a região ainda impõe para a valorização da cultura popular, Lívia segue abrindo caminhos e inspirando outras mulheres a ocuparem seus espaços. Além de artista, ela é moradora da Coroa e coordena o Instituto Coletiva de Mulheres Negras de Vera Cruz, Bahia, ampliando discussões, criando ações e fortalecendo redes culturais.
Consequentemente, sua presença não apenas brilhou no palco, mas também simbolizou resistência, representatividade e a urgência de manter viva a tradição do samba enquanto prática social e cultural.
O evento ganhou forma graças ao apoio direto de parceiros como Lyder Construção, Vera Cruz Transportes Marítimos, Missão Materiais de Construção e do Gabinete da Deputada Estadual Olívia Santana, por meio da própria Lívia. Todos acreditam que a cultura movimenta a economia, fortalece territórios e gera pertencimento.
Edy Carlos reforça a importância do reconhecimento dos artistas locais

Foto: Graça de Jesus
Durante o evento, Edy Carlos do Samba, organizador e integrante do grupo de samba Batucada Brasileira, destacou que promover encontros como esse gera enorme felicidade para o grupo. No entanto, ele também reforçou que o reconhecimento dos artistas precisa avançar. Para ele, investir em estratégias, inovação e novas tecnologias garante a continuidade do trabalho e aumenta a satisfação do público.

Edy Carlos – Foto: Lívia Ferreira
Segundo Edy, oferecer um produto cultural de excelência exige compromisso, amor e valorização. Por isso, o samba precisa de apoio constante para permanecer vivo e pulsante, alcançando novos públicos e mantendo sua força histórica.
E assim, do início ao fim da tarde, o público se jogou na gandaia sem medo de ser feliz. O eco da batucada, misturado às ondas da Praia do Duro, lembrou a frase eternizada na voz de Alcione, “Não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar…”. Em Vera Cruz, o samba segue firme, vivo e pronto para sambar.
Atualize registra e fortalece os fazedores de cultura local
O Jornal Atualize segue comprometido em valorizar quem faz a cultura acontecer. Ao identificar e anunciar cada integrante, seus instrumentos e suas funções, o jornal registra a história com responsabilidade e carinho. Sobretudo, amplia a visibilidade dos artistas que movimentam Vera Cruz e a Ilha de Itaparica. Reconhecer esses fazedores é fortalecer a identidade cultural do território e impulsionar novas ações que elevam a comunidade.