Quanto pesa a rotina antes que você decida que sua liberdade vale mais do que um salário?

Por Nazareth Reales

Feliz Natal aos nossos leitores -Foto: Arquivo pessoal

Em dezembro de 2014, o muro da vida adulta se erguia diante de nós: estudo, trabalho e horários reivindicando cada um dos nossos espaços. Por isso, em 2015, Lucelly, Dalia e eu arrumamos o mínimo e escapamos rumo às montanhas da Sierra Nevada de Santa Marta. Buscávamos, no Caribe colombiano, a inspiração que a fria capital Bogotá nos ia roubando, sem saber que aquela viagem de mochila seria o ensaio de uma vida inteira em movimento. O que não conseguíamos ler nas estrelas era que aquele seria nosso último caminho juntas: em 2017, a morte levou Dalia para um plano onde minhas mãos já não podem alcançá-la e, com sua partida física, meu mundo parou de repente. Aquela dor se instalou como uma âncora perfurando o peito, impedindo qualquer movimento.

Primeira viagem de mochila com Dalia de amarillo e Lucelly de negro. -Foto: Arquivo pessoal

Hoje, enquanto 2025 se desfaz, entendo que sua ausência foi a semente da liberdade que agora respiro. Aqueles passos de 2015 hoje se transformam em milhares de quilômetros sobre duas rodas, promovendo dons e talentos pelo continente por meio da bici-escola Bikeagle. Dalia já não pode percorrer este plano, mas sua memória empurra meus pedais. Cada quilômetro é uma homenagem à vida que ela já não caminha; ao partir, ela me entregou a urgência de existir agora. Ensinou-me que não podemos adiar sonhos para uma “vida melhor” que talvez nunca chegue. A liberdade não é um destino; é o ar que nos golpeia enquanto avançamos hoje.

Vivendo um dia de cada vez

Banhos de água doce, Equador. -Foto: Arquivo pessoal

Somamos números: nove anos desde que ela não está, milhares de quilômetros deixados para trás, um ano de viagem que se encerra. Mas a estrada vai nos despindo da ansiedade pelo futuro.

Na bicicleta, o amanhã é apenas a próxima curva e o passado é o pó que os pneus vão soltando. O único número que importa é o um: o “só por hoje”.

Lucelly, Naza e Dalia. Sua ausência foi a semente que hoje respiro. -Foto: Arquivo pessoal

Este fechamento de ciclo não é uma meta cumprida, mas a celebração de estar vibrando no presente. Agradeço aos “anjos do agora”: mãos que alcançam um copo d’água, portas que se abrem para nos dar abrigo e pessoas que impulsionam nossa viagem e o processo de criação do nosso primeiro livro. A magia acontece quando nos encontramos no aqui e agora.

Pausa em Vitória da Conquista

Pausa na nossa viagem em Vitória da Conquista. Cerro do Cristo Cravo.   -Foto: Arquivo pessoal

Neste fim de ano, interrompemos nossa viagem em Vitória da Conquista, Bahia. Aqui aguardamos nossa documentação junto à Polícia Federal, transformando a espera em uma oportunidade para a calma necessária ao encerrar e iniciar ciclos. Estamos compartilhando com esta comunidade que nos acolhe, enquanto o caminho se prepara para se abrir novamente rumo a 2026, com novas surpresas despontando no horizonte.

Um presente chamado presença

A Magia do Natal-Foto: Arquivo pessoal

A viagem nos ensina que o mapa da felicidade não se traça com quilômetros, mas contemplando os rostos de quem amamos. Não esperem que o tempo se esgote para dizer “eu te amo”. Não sabemos quanto durará o trajeto de cada um. Que este Natal seja sobre presença absoluta. Olhem nos olhos, abracem sua família, celebrem o milagre de estarem juntos e honrem a memória dos que já não estão, vivendo intensamente cada segundo.

A todos os leitores que acompanharam esta travessia em família pela Colômbia e até o Brasil: Feliz Natal! Que o amor seja a bússola guiando seu caminho neste novo ciclo.

Feliz Natal -Foto: Arquivo pessoal

Família Bikeagle
Educação em Movimento

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