Festival celebra tradições afro-brasileiras em quatro dias de música, formação, debates e feira criativa no Centro Histórico de Salvador

Por Redação

PanAfro 2025 movimenta o Pelourinho com arte, saberes ancestrais e protagonismo feminino

Foto: Antonio Carvalho

No ultimo sábado, 15, o PanAfro 2025 movimentou o Centro Histórico de Salvador com uma programação intensa que celebrou a ancestralidade, fortaleceu saberes tradicionais e colocou as mulheres negras no centro das discussões. Realizado em diversos espaços do Pelourinho, o evento reuniu música, debates, oficinas, literatura e feira afroempreendedora, consolidando-se como uma plataforma essencial de promoção da cultura afro-brasileira.

Caminhos da ancestralidade e formação

Foto: Antonio Carvalho

A abertura aconteceu no Espaço Cultural Barroquinha, onde a ekedy Sinha fez uma apresentação artística. Em seguida, a roda de conversa “Formação e Saber, a Pedagogia dos Terreiros” reuniu as pesquisadoras e líderes religiosas Lidinalva Barbosa, Claudia Santos e Vânia Melo, com mediação de Mara Felipe.

Durante o encontro, as participantes destacaram a importância da educação ancestral e dos fundamentos que estruturam os terreiros como espaços de formação, espiritualidade e resistência. Logo depois, a manhã terminou com a apresentação musical de Diggo de Deus, acompanhado pela percussão da Escola Olodum. Com isso, o evento reforçou o elo entre arte, memória e tradição.

Foto: Antonio Carvalho

Ao mesmo tempo, o estúdio de Negra Jhô recebeu o workshop “Turbantes: Coroas, Símbolos e Resistência”. A atividade reafirmou o turbante como elemento identitário, político e cultural.

Mais tarde, o Museu Eugênio Teixeira Leal exibiu o documentário “Jornada das Folhas”, que mostra o trabalho de mulheres na coleta de folhas sagradas usadas nos rituais das comunidades tradicionais de terreiro e na medicina ancestral. Após a sessão, os produtores conversaram com o público. Assim, o debate sobre a economia do sagrado e o papel feminino ganhou novas camadas.

Arte, corpo e literatura em movimento

Foto: Antonio Carvalho

Na continuidade do festival, a Praça Pedro Arcanjo recebeu o Workshop de Dança da Escola Olodum, comandado pelo professor Wagner Omi. Paralelamente, o Espaço Conceito Preto Fala de Amor, na Rua Alaíde do Feijão, promoveu contação de histórias, oficinas criativas, encontro de editoras independentes, sarau literário e o show da cantora Clarice Ravena, reforçando a valorização da literatura e da produção artística negra.

No final da tarde, o Workshop de Percussão da Escola Olodum, conduzido pelo mestre Geraldo Marques, terminou com um cortejo até a sede da instituição. Ali, os participantes apresentaram ao público os conhecimentos adquiridos ao longo da oficina.

Economia criativa e celebração

Foto: Antonio Carvalho

O fim de semana ganhou força com a Afro Colab, Feira Afro Bahia. O evento ocupou a Praça Pedro Arcanjo e reuniu afroempreendedores, produtos autorais e iniciativas que fortalecem a economia negra.

Na programação artística, o DJ Branco, a percussão e a voz da Escola Olodum se apresentaram ao lado de Vania Sam, Dam e Kauane Fonseca. Além disso, o partido alto de Naira Garrido animou o público.

Ao mesmo tempo, o Espaço Conceito Preto Fala de Amor manteve atividades contínuas de literatura faraônica. O local recebeu rodas, lançamentos, oficinas e diálogos formativos ao longo de todo o sábado.

Foto: Antonio Carvalho

No domingo, último dia do evento, a Feira Afro Bahia continuou recebendo visitantes. Com isso, ampliou ainda mais a visibilidade da produção cultural e econômica negra. Entre as atrações, Elpídio Bastos, Mestre Marsal e as intervenções do DJ Branco animaram o público.

Por fim, as meninas do Samba Ohana encerraram o festival. A apresentação celebrou a cultura afro-brasileira com força feminina e com o diálogo entre tradição e contemporaneidade.

Assim, o PanAfro 2025 reafirma a potência dos territórios negros de Salvador como espaços de arte, memória, formação e inovação cultural. Dessa forma, o festival fortalece o legado afro-brasileiro e cria novas conexões entre artistas, mestres, pesquisadores e comunidade. A segunda etapa, o PanAfro – FEMADUM 2025, acontece de 5 a 7 de dezembro.

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