Artista atua na linha de frente da candidatura que pode transformar o forró em Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade
Por Redação

O cantor e compositor Del Feliz representou a Bahia na entrega do dossiê de candidatura do forró de raiz a Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade à UNESCO. A cerimônia ocorreu no dia 18 de março, no Teatro Santa Roza, em João Pessoa, reunindo representantes dos nove estados do Nordeste e integrantes de movimentos culturais. Assim, o encontro marcou uma etapa decisiva do processo, que, a partir de agora, segue para análise internacional.
Momento simbólico e articulação coletiva
Durante a agenda, por sua vez, Del destacou o simbolismo do momento e o papel coletivo na construção da candidatura. “Foi uma data simbólica, agora só nos resta aguardar o resultado”, afirmou. Nesse sentido, a fala reforça o caráter histórico da iniciativa.
Além disso, a mobilização envolve os nove estados nordestinos e, ainda, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás e o Distrito Federal, reunindo governos, fóruns culturais e artistas. Dessa forma, o movimento amplia seu alcance para além da região Nordeste. Nesse contexto, a Bahia participou com representação ativa, incluindo Creusa Rosa Machado, do território de Irecê, e Marizete Nascimento, presidente da entidade.

Em paralelo, Del Feliz teve atuação direta em diferentes etapas da campanha. Ao longo do processo, ele atuou como padrinho cultural do Brasil no registro do forró como Patrimônio Imaterial do Brasil e, além disso, contribuiu com articulações e mobilização artística. Do mesmo modo, é autor da música-tema da candidatura, Eu Sou o São João, interpretada por nomes como Elba Ramalho, Flávio José, Santanna, Alcymar Monteiro e Tato, entre outros importantes representantes do gênero.
Forró no mundo e trajetória internacional
Por outro lado, no cenário internacional, as lideranças do movimento reconhecem Del como embaixador da cultura nordestina e do forró no mundo, destacando sua trajetória. Com efeito, o artista já levou o ritmo a mais de 50 países, entre eles França, Estados Unidos, Inglaterra, Portugal, Japão, Canadá e México. Dessa maneira, amplia significativamente a presença do gênero em diferentes continentes.

Candidatura segue para análise internacional
A candidatura do forró de raiz reúne documentação técnica e histórica que sustenta o pedido junto à Unesco. Cabe destacar que esta não é a primeira vez que o artista esteve em contato com a organização. Em 2024, por exemplo, Del participou de agenda na sede da entidade, em Paris, sendo recebido por Fumiko Ohinata.
Agora, o novo material será encaminhado pelo governo brasileiro e, consequentemente, o processo de análise pode levar até dois anos. Nesse horizonte, o reconhecimento internacional busca fortalecer políticas de preservação e, ao mesmo tempo, garantir a continuidade do forró como uma das mais importantes expressões culturais do Brasil.