Especialistas apontam que regulamentação pode impulsionar produção sustentável e inserir o país em mercados internacionais

Por Gilsimara Cardoso

O futuro do jumento – Foto: Divulgação

A decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), que reconheceu a legalidade do processamento industrial de jumentos dentro das normas sanitárias brasileiras, recoloca em pauta o futuro da espécie e as possibilidades de organização de uma cadeia produtiva estruturada no país.

Para o zootecnista e administrador agropecuário Alex Bastos, a decisão está alinhada ao arcabouço jurídico que regula a produção e a inspeção de produtos de origem animal no Brasil.

De acordo com ele, o país possui uma legislação consolidada para o setor estabelecida. Por exemplo, pelas Leis Federais nº 1.283/1950 e nº 7.889/1989, que estruturam o sistema de inspeção industrial e sanitária desses produtos.

Esse sistema é regulamentado pelo Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Riispoa), que foi atualizado pelo Decreto nº 9.013/2017 e, posteriormente, modificado pelo Decreto nº 10.468/2020.

Essa estrutura garante fiscalização permanente do Ministério da Agricultura e Pecuária em todas as etapas do processo produtivo, desde a chegada dos animais aos frigoríficos até a exportação dos produtos”, afirma Bastos.

Potencial produtivo e novos mercados

O futuro do jumento – Foto: Divulgação

Apesar do histórico de abandono a partir da década de 1980. Quando a mecanização agrícola substituiu a tração animal e ampliou o uso de veículos motorizados. Pesquisas recentes indicam potencial produtivo da espécie.

Nesse sentido, estudos realizados por universidades federais em Pernambuco mostram que potros podem ultrapassar 100 quilos ao desmame, aos oito meses de idade. Quando criados com aleitamento materno e pastagens.

Considerando um período de gestação entre 12 e 14 meses, o ciclo produtivo completo pode variar entre 20 e 22 meses. “Esse desempenho pode ser especialmente relevante em regiões com limitações edafoclimáticas para outras espécies pecuárias, como os bovinos”, avalia Bastos.

Diante desse cenário, a China, principal mercado consumidor de asininos, vem investindo em programas de melhoramento genético e centros de pesquisa dedicados à criação de jumentos. O que contribui para a consolidação de tecnologias avançadas de reprodução e manejo da espécie.

Atividade sustentável

O futuro do jumento – Foto: Divulgação

Ele argumenta que a existência de atividade econômica formal pode estimular a criação organizada da espécie. Contribuindo para o controle populacional, geração de renda e redução de problemas como acidentes causados por animais soltos em rodovias.

Na avaliação do especialista, a decisão judicial cria condições para ampliar o planejamento da atividade no país. “O reconhecimento do jumento nordestino como patrimônio genético e cultural é importante. Mas preservação e uso econômico sustentável não são conceitos incompatíveis. Diversas espécies pecuárias brasileiras são patrimônio genético e base de cadeias produtivas organizadas”, conclui.

Uso e finalidade da carne de jumento

A carne de jumento é utilizada principalmente para fins comerciais e industriais, com destaque para o mercado internacional, especialmente em países asiáticos como a China. Onde há demanda para a produção de ejiao, uma gelatina medicinal feita a partir do colágeno extraído da pele do animal e tradicionalmente associada a benefícios à saúde, como reposição de ferro e fortalecimento do organismo.

Além disso, a carne também é destinada ao consumo humano, sendo considerada uma fonte de proteína com baixo teor de gordura, semelhante a outras carnes vermelhas.

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