Artista plástico francês e vice-presidente da Liga dos Direitos Humanos de Boulogne passa temporada na Ilha de Itaparica enquanto integra as celebrações diplomáticas entre Brasil e França.

Por Gilsimara Cardoso

Michel Macquet Grégoire na Casa dos Pescadores, em Tairu – Foto: Gilsimara Cardoso

O artista plástico francês Michel Macquet Grégoire, vice-presidente da Liga dos Direitos Humanos de Boulogne, na França, está passando uma temporada na comunidade de Tairu, em Vera Cruz, na Ilha de Itaparica.

A presença do artista na Ilha de Itaparica reforça o diálogo cultural entre Brasil e França em um momento simbólico. As celebrações do Bicentenário das relações diplomáticas entre os dois países.

Obra 1988, primeira “Gagueja artística” – Michel Macquet Grégoire – Foto: Arquivo Pessoal

Além de desenvolver o trabalho artístico, Michel amplia pontes institucionais. Recentemente, o gabinete do Ministério da Cultura do Brasil reconheceu oficialmente a relevância do projeto “Session de Peinture Jazz” e destacou a sua contribuição para o intercâmbio cultural entre as duas nações.

Em seguida, o próprio Ministério orientou a equipe do artista a apresentar a proposta à Embaixada da França no Brasil e ao Instituto Francês, que coordenam a Temporada Cruzada França-Brasil 2025.

Michel Macquet Grégoire na Ilha de Itaparica – Foto: Gilsimara Cardoso

Ao mesmo tempo, autoridades regionais de Salvador e o Consulado da França em Recife iniciaram diálogo para viabilizar a organização das atividades. Dessa forma, o projeto avança não apenas no campo artístico, mas também no cenário diplomático e institucional.

Ser artista ainda é ser visto como algo extra

Obra tema Mar – Michel Macquet Grégoire – Foto: Arquivo Pessoal

Durante sua estadia em Tairu, Michel Macquet Grégoire também compartilhou uma reflexão que atravessa fronteiras e provoca debate sobre a valorização da cultura. Ao comparar a realidade do Brasil com a da França, ele afirmou. “O artista ainda é desvalorizado, não somente aqui no Brasil, mas lá na França também. Ser artista é como se fosse um hobby e não uma profissão, entra como algo extra. Na França apenas 3% dos artistas vivem dignamente da arte”

Michel Macquet Grégoire na Ilha de Itaparica – Foto: Gilsimara Cardoso

Com essa declaração, o artista evidencia um desafio estrutural enfrentado por profissionais da arte em diferentes países. Embora a cultura movimente economias, fortaleça identidades e promova diálogo social, muitos ainda tratam o fazer artístico como atividade secundária.

Ao trazer essa reflexão para o centro da conversa, Michel reforça a necessidade de reconhecer o artista como trabalhador da cultura, com direitos, dignidade e espaço nas políticas públicas.

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