Quando a estrada deixa de ser destino e se torna método
Por Nazareth Reales

Foto: Acervo Pessoal
Se 2025 foi o ano da semeadura, 2026 amanhece como o ano da colheita. E não uma colheita qualquer, mas aquela que brota depois de muito chão, suor e fé no caminho. A pergunta que mais ouvimos continua ecoando pelas estradas: “O que é exatamente a Bikeagle?” Muita gente enxerga apenas uma família viajando de bicicleta. Mas, quando olha mais de perto, percebe-se algo maior. A construção silenciosa e contínua de um modelo educativo que não conhece fronteiras.
De repente, deixamos de ser apenas viajantes. Assumimos o nome e a essência que sempre estiveram conosco: uma Corporação Itinerante de Transformação Social. Um organismo vivo que se move, observa, aprende e devolve à sociedade aquilo que capta do mundo.
O rastro que deixamos pelo caminho

Foto: Acervo Pessoal
Para compreender o lugar para onde seguimos, é preciso observar o trilho que deixamos marcado sobre o asfalto. O ano de 2025 não foi feito de pausas. Nossos pedais não descansaram. A cada amanhecer, a Bici-Escola acordava antes da luz e seguia.
Foram 1.125 quilômetros ligando Aracaju a Vitória da Conquista. Quilômetros que não se contam apenas com pernas, mas com histórias que surgem a cada curva da estrada.
Foram 52 comunidades atravessadas. Cidades, povoados e vilarejos onde a esperança, às vezes esquecida, reencontrou abrigo no som das nossas rodas.
Foram 8 instituições educativas transformadas. Aulas que deixaram de ser apenas paredes e quadros e se tornaram laboratórios de sonho, movimento e descoberta.
Assista esse capítulo e construa junto com a gente ! Inscreva-se no nosso canal.
Foram 2.000 jovens tocados. Dois mil olhares que aprenderam que autonomia e resiliência são ferramentas que se constroem, como quem monta uma bicicleta peça por peça.
No mesmo compasso, firmamos 36 alianças estratégicas e contamos com o apoio de 50 patrocinadores. Eles não viram apenas uma viagem. Viram uma escola móvel capaz de chegar onde quase ninguém chega. E decidiram caminhar conosco.
2026: a metamorfose

Família Bikeagle – Foto: Acervo Pessoal
Agora, o vento sopra diferente. 2026 chega com a força de uma expansão madura. Já não somos apenas uma família sobre duas rodas. Somos um time interdisciplinar que leva, em cada gesto, um sentido maior.
Criamos um sistema educativo mais robusto. Reunimos esporte, dança, arte e técnica para formar um método que nasce do movimento. Um método vivo.

Foto: Acervo Pessoal
No Corpo e Identidade, o esporte e a dança mostram que o domínio de si é sempre o primeiro território a ser conquistado.
Na Arte Circular, pegamos o que a estrada deixa para trás e transformamos em criação. O resíduo vira oportunidade. O descarte vira aprendizado. O objeto esquecido vira peça de valor.
Na Autonomia Técnica, damos às pessoas o que a estrada nos ensinou. Ninguém precisa esperar por ajuda para seguir adiante. Com mecânica, mobilidade e auto-gestão, cada cidadão descobre que pode ser dono do próprio percurso.
Um time que respira o mesmo horizonte

Karol Sofía – Foto: Acervo Pessoal
Para sustentar esse impacto crescente, reforçamos nosso corpo de trabalho.
A direção pedagógica e editorial segue nas minhas mãos, voz e escrita que moldam os conceitos que levamos estrada afora.
A direção técnica e logística se move com a precisão de Andrés Noreña.
A comunicação e as alianças ganham vida com a sensibilidade de Karol Sofía.
E esse trio se amplia.
Gilsimara Cardoso, assessora de comunicação, chega como quem acende uma fogueira de palavras e gestos.
Lucía Pretry assume a gestão institucional com a firmeza de quem conhece o compasso do trabalho silencioso.
E então, quase como um rito de passagem, surge Vladimir Velásquez.
E, claro, continuamos acompanhados de Polar, esse ser que atravessa portas e corações com a simplicidade que só a empatia entende.
O curador

Vladimir Velásquez – Foto: Acervo Pessoal
Ele não se apresenta com alarde. Ele chega como chegam os que sabem observar o mundo: devagar, atento, respirando o que muitos não percebem. Há algo na postura de Vladimir que anuncia profundidade, um modo de olhar que não se detém na superfície, mas atravessa, recolhe, costura.
Licenciado em educação comunitária com ênfase em direitos humanos pela Universidade Pedagógica Nacional, ele sempre caminhou entre pessoas e histórias. A bicicleta foi seu templo de movimento, e a estrada, sua melhor professora. Viajante por essência, escritor por necessidade da alma, Vladimir deu à luz Fragmentos de una Quimera, obra em que cada página parece pulsar com o mesmo vento que ele sente no rosto enquanto pedala.
Agora, ao assumir a curadoria editorial do nosso primeiro livro, Vladimir não apenas revisa textos. Ele habita a narrativa. Ele recolhe do percurso aquilo que o tempo tenta dispersar: as entrelinhas, os silêncios, os detalhes que escapam quando se pedala depressa. Seu trabalho é o de um artesão que reconhece o valor do mínimo, a curva acentuada da memória, a sutileza do gesto, a poesia escondida nas experiências que compartilhamos pelo caminho.
Vladimir não organiza capítulos. Ele organiza sentidos.
Não revisa parágrafos. Ele amplia horizontes.
Não refina frases. Ele nos devolve a nós mesmos, lapidados pela estrada.
A transformação que queremos entregar ao mundo

Foto: Acervo Pessoal
Neste 2026, queremos provar o que vivemos. Queremos sistematizar essa liberdade para que qualquer pessoa, em qualquer lugar, consiga aplicá-la na própria vida. Queremos mostrar que é possível viver em movimento e aprender com o mundo sem perder a profundidade.
A Bici-Escola Bikeagle continua na estrada. Agora mais profissional, mais conectada e mais decidida a transformar o mundo. Um pedal após o outro. Um olhar depois do outro. Uma história de cada vez.
O caminho está aberto.
E a viagem, essa sim, está apenas começando.