A retratação da cultura local e a presença das mulheres foram destaques no festival

Por Gilsimara Cardoso

Obra Maria Felipa, Fábiograf no BTC -2025 – Foto: Gilsimara Cardoso

Começou na última quinta, 27, e encerrou no domingo,30, o maior festival internacional de grafite do Norte- Nordeste. O Festival Internacional de Graffiti Bahia de Todas as Cores – BTC reuniu os maiores artistas internacionais e nacionais para transformar muros em grandes obras.

Obra Maria Felipa, Fábiograf no BTC -2025 – Foto: Gilsimara Cardoso

Fábio Graf trouxe a heroína Maria Felipa e não esqueceu das folhas de cansanção, ele veio de Belém, Pará, para participar do BTC. Fábio tinha um emprego fixo e um salário razoável, ele deixou a zona de conforto para se dedicar a arte e viver da arte de rua. Hoje ele é um dos melhores grafiteiros do Brasil. ” Não é só um muro pintado, o grafite é uma troca de conhecimento, é um compartilhamento, é o retrato do povo, é a história.” Explicou Fábio.

Obra de Noe Two em Porto dos Milagres -Foto: Gilsimara Cardoso

Foram 11 países no festival, o grande artista francês Noe Two, trouxe para o Brasil uma bagagem de conhecimento e talento , deixa na ilha a arte e o carisma como boas e eternas lembranças. O pescador Josué da Cruz, gostou de Noe desde o primeiro contato, ele tem agora a assinatura de Noe na porta do comercio dele, “ele já chegou bem, simples e muito educado, eu já vi logo que era uma pessoa muito boa, é isso que a gente leva para o resto da vida né ?”

Obra de Noe Two em Porto dos Milagres -Foto: Gilsimara Cardoso

 A obra de Noe está acessível para quem deseja ser observado de perto pelo olhar marcante do tigre, e também do gorila Yaoundé. Ele emocionou a comunidade de Porto dos Milagres ao doar uma obra feita no carro de mão para a vendedora de verduras, Luísa.

Dater 127 no BTC – 2025 Foto: Oni Sampaio

O alemão Dater também presenteou os alunos da rede pública de Itaparica, no muro da Escola Municipal  Edilson  Solto Freire está a assinatura dele com traços e cores marcantes. Dater enfrentou o sol, temperaturas altas, fez a obra subindo e descendo escada, segurando o guarda-chuvas e o spray, se equilibrou, se esforçou para tornar acessível a arte dele no Brasil.

Caruzo no BTC – Foto: Gilsimara Cardoso

Assim como Dater, o sergipano Caruzo também enfrentou o sol, ele retratou no mesmo muro, a figura de um homem negro grisalho, “ eu pintei aqui um senhor negro sorridente e feliz, olha a cara do rapaz, eu quis trazer essa sensação de paz e felicidade, as pessoas acabam se sentindo representadas. “Explica Caruzo.

Onesto no BTC – Foto: Gilsimara Cardoso

Onesto, lenda do grafite brasileiro, também esteve presente e esclareceu que no grafite os artistas devem ser livres para criar e inovar “eu compreendo que se a arte não tem esse papel de questionamento, de percepção de trazer né, às vezes uma questão que está latente para que as pessoas possam enxergar o dia delas de outra forma, para mim não é arte, para mim acaba sendo decoração. ” Salientou  Honesto.

Brize no BTC – 2025 Foto: Gilsimara Cardoso

As mulheres trouxeram cores expressivas e o empoderamento  feminino,   desde o laranja do samba de roda Raízes da Gameleira à representatividade da heroína Maria Felipa.

A grafiteira paulista Brize descreveu por meio da arte o samba de roda Raízes da Gameleira, “Teve uma apresentação do samba de roda em que todas estavam vestidas com roupas vermelhas e tons amarelo e branco, então eu quis trazer um pouco dessa representatividade aqui, trazendo a questão do fogo não só que arde, mas também ilumina, trazendo o samba para cá, para escola. ” Explicou Brize

Octa no BTC- 2025 Foto: Oni Sampaio

Já a soteropolitana  Octa finalizou a obra Maria Felipa com a chegada das Caravelas portuguesas. Deu uma surra de cansanção em desavisados que não sabiam da força das grafiteiras nos festivais.

Anjo e o pai dela no BTC- 2025 Foto: Gilsimara Cardoso

A artista Anjo não veio sozinha para o Festival, ela está grávida e suspeita que seja uma menina, Anjo fez homenagem as mulheres que lutam diariamente como profissional, como mãe e também na organização dentro de casa. O pai de Anjos veio no domingo “ eu vim, porque ela me intimou a vim aqui, realmente a minha filha tem talento. “

Wira Tini, uma das organizadoras do BTC, explicou que as mulheres chegaram com tudo este ano, “Teve estados que vieram somente mulheres, mais de 50 % do BTC 2025 foi composto por mulheres. ” Explica Wira.

Festival Internacional de Graffiti – BTC- 2025 Foto: Gilsimara Cardoso

O BTC 2025 conclui esse festival com histórias e com as transformações sobre as comunidades de Itaparica,“ nesse trabalho eu vi que houve força, houve amor, houve coragem, determinação, cultura, incentivo, reanimação, praticamente houve várias linguagens nestes trabalhos de cada pessoa que aqui está, eu gostei porque eu aprendi mais sobre a história da Bahia, dos artistas… conheci a história de Maria Felipa. ” Explica Elohim.

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